Resenha de "Volta para casa" (Harlan Coben)

Título: Volta para casa
Autor: Harlan Coben
Editora: Arqueiro (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Dez anos atrás, dois meninos de 6 anos foram sequestrados enquanto brincavam na casa de um deles, uma mansão em um bairro elegante de Nova Jersey. Mas, após o pedido de resgate, as famílias nunca mais tiveram notícias dos sequestradores nem de seus filhos.
Agora, Myron Bolitar e seu amigo Win acreditam ter localizado um deles, o adolescente Patrick, e farão de tudo para resgatá-lo e obter as respostas pelas quais todos anseiam:
O que aconteceu no dia em que foram raptados?
Onde ele esteve durante todo esse tempo?
E, o mais importante, onde está Rhys, seu amigo ainda desaparecido?
Após cinco anos sem escrever nenhum livro da série Myron Bolitar, Harlan Coben brinda os leitores com Volta Para Casa, um suspense explosivo, como só o seu talento pode criar. Um thriller profundamente comovente sobre amizade, família e o verdadeiro significado de lar.

Não sei explicar como isso acontece, mas todos os livros do Coben me deixam com uma nostalgia tremenda quando acabam. Uma sensação gostosa de saudade, o que é bem raro em se tratando de livros policiais. A tendência é que eles te deixem eufóricas, não é? Perplexa, até. Mas saudosa? Isso é algo próprio de Coben. E digo mais... próprio de Myron Bolitar. 

Nesse livro Myron vai ajudar seu amigo Win a investigar o reaparecimento de Patrick, um dos dois garotos desaparecidos do quintal da prima de Win dez anos atrás. Eles inclusive participam ativamente do resgate do menino. 

Só que Patrick está mudado. Diferente. E essa pulga atrás da orelha, como o desespero em encontrar Rhys, o outro menino, faz com que Myron e Win movam mundo e fundo em busca da resolução do caso. 

Eu poderia dizer que fiquei bem surpresa com o que Coben faz nesse livro, mas dizer isso seria tipo um clichê dos mais ridículos, porque sempre estou surpresa com o que ele é capaz de escrever. Poderia dizer que amei o livro com tamanha força que estou até agora, um dia depois de ter lido, que só faço pensar nele de maneira constante. Mas também seria patético, visto que sou apaixonada por tudo o que esse cara escreve. Então, o que diabos vim fazer aqui? 

Primeiro dizer que esse livro tem participação narrativa de Win, o que me faz amá-lo mais ainda. Porque se com Myron a gente tem aquele cara que usa a tensão e transforma em comédia, com Win é só a tensão. O bad boy que realmente faz jus ao nome. Está duvidando de mim? Leia só o primeiro capítulo do livro que a gente conversa depois. 

Quer mais um motivo para se jogar nessa história? A participação deliciosa de Mickey Bolitar, o sobrinho de Myron que tem três livros só com ele protagonizando. O pivete é de uma sagacidade impressionante! E quando se junta com Ema e um amigo nerd deles, passa a perna em muito detetive por ai. Adoro o trio juntos! E fico com frequência pensando se Coben não criou o menino para dar continuidade a família detetivesca de Myron quando este se aposentar. 

Se tenho algo para reclamar desse livro é na verdade uma crítica para a própria editora, que lança os livros da série do Myron na ordem errada e, ainda que sejam individuais, a gente perde muito do enredo de vida do protagonista. Me peguei em vários momentos tentando entender o que aconteceu com a agência de Myron e Esperanza, porque diabos Win havia saído pelo mundo, como Myron e Terese acabaram juntos... Coisa boba para o entendimento desse livro em específico, mas importante para quem gosta do personagem. Então, se vocês ainda não começaram a ler esse aqui, sugiro ler pelo menos os dois últimos anteriores a esse da série dele, que é o Quando ela se foi e Alta Tensão. 

O final é realmente um escândalo. Depois que a gente descobre a resolução do problema principal, o autor ainda nos presenteia com uma revelação deliciosa de Win e  mais algo sobre a prima dele. Sério, o tipo de final realista que me deixou batendo palmas para a ousadia do autor. Nunca fui fã de mocinhos. Tudo mundo tem seus dias de vilão. 

Enfim, mais um livro da série de Myron e que me deixou mais um pouco apaixonada pelo autor! Preciso dos outros que ainda não tenho na estante. Devagar vou desvendar tudo que Coben já lançou de um dos meus detetives (que nem é detetive) prediletos. 

Aos Perdidos, com Amor e socos contínuos no estômago

Título: Aos Perdidos, com Amor
Autor: Brigid Kemmerer
Editora: Plataforma 21
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Sinopse: Juliet Young sempre escreveu cartas para sua mãe. Mesmo depois da morte dela, continua escrevendo – e as deixa no cemitério. É a única coisa que tem ajudado a jovem a não se perder de si mesma. Já Declan Murphy é o típico rebelde. O cara da escola de quem sempre desconfiam que fará algo errado, ou até ilegal. O que poucos sabem é que, apesar da aparência durona, ele se sente perdido. Enquanto cumpre pena prestando serviço comunitário no cemitério local, vive assombrado por fantasmas do passado. Um dia, Declan encontra uma carta anônima em um túmulo e reconhece a dor presente nela. Assim, começa a se corresponder com uma desconhecida... exceto por um detalhe: Juliet e Declan não são completos desconhecidos um do outro. Eles estudam na mesma escola, porém são tão diferentes que sempre se repeliram. E agora, sem saber, trocam os segredos mais íntimos. Mas, aos poucos, a vida real começa a interferir no universo particular das confidências. E isso pode separá-los ou uni-los para sempre. Entre cartas, e-mails e relatos, Brigid Kemmerer constrói uma trama intensa, repleta de descobertas e narrada sob o ponto de vista dos dois personagens. Uma história de amor moderna de arrebatar o coração.

Em meio a um mar de livros que começava e não conseguia acabar, Aos Perdidos, com Amor me chegou de maneira incomum. Estava entediada, olhando os mais de 600 ebooks no meu Kindle, tentando encontrar um que realmente quisesse ler, mas nenhum parecia chamar minha atenção. Foi quando a tela travou na página onde ele estava, e percebi que tinha tempo que não lia um jovem adulto decente. Na verdade tinha tempo que não lia um jovem adulto e fim de papo. 

Então comecei, e sabe o que me prendeu na história? A dor. A dor da primeira carta a que temos acesso, e que a Declan tem acesso também. Na verdade, a dor e a referência a fotografia, visto que a mãe de Juliet era uma fotógrafa de zonas de guerra, e esse assunto é falado a todo momento na história. Isso me lembra bastante o Sebastião Salgado, e vocês bem sabem que ele é meu fotógrafo predileto no mundo. 

Então, movida a dor e a curiosidade, fui firme na leitura. E eu, que não tinha esperança de me ambientar com facilidade, me vi devorando em dois dias. Estava ligada. Estava apaixonada, e até com raiva. E quando um livro consegue provocar sentimentos tão controversos no leitor, normalmente é porque é um bom livro. 

Temos Juliet, que teve a mãe morta em um acidente de carro, e a quem ela deixa cartas no túmulo com frequência, porque era algo que elas faziam quando a mulher estava viva. E temos Declan, que está cumprindo pena educativa em um cemitério por ter bebido e destruído um prédio com o carro do pai. Ele acaba encontrando a carta de Juliet e deixa uma resposta, e assim começa um relacionamento "a distância". Ambos dividindo dores da perda. Ambos se ajudando a seguir em frente e agir inesperadamente. 

Olha, eu fico procurando hoje motivos para reclamar desse livro e não encontro. Os personagens principais são bons, e bons no sentido de bem construídos, porque eles tem defeitos que por muitas vezes me deu vontade de socar os dois, como todo adolescente. Mas a gente entende que os defeitos é parte de quem eles são, e, porra, são ótimos personagens! Sem esses defeitos não teriam a mesma humanidade que ambos tem. 

Os coadjuvantes também não ficam atrás. Até os ruins são cativantes, porque eles precisam ser ruins para a história funcionar. Na verdade o leitor entende que tudo em Aos Perdidos, com amor funciona como um organismo vivo e único. Eles se completam e precisam estar no mesmo lugar para funcionarem. Do melhor amigo de Declan, ao padastro dele. Da melhor amiga de Juliet, ao pai dela, aos professores "anjos" de ambos. Tudo tem seu lugar e seu jeito de acontecer. 

O ritmo da história é muito bom, e a autora joga um certo mistério que te faz ficar preso no livro até o fim. E acho que esse é um super ponto positivo para esse livro: A forma como a autora constrói a trama, como se fossem galhos de uma árvore. Você precisa de mais. Não existe aquele momento de stand by no livro. É sempre algo. Uma vontade de matar um padastro, uma vontade de sacudir um pai, um desejo de gritar para os dois que eles precisam enxergar que um esta exatamente ao lado do outro, em todos os sentidos. 

Enfim, não encontrei defeitos. Tudo amarradinho da maneira correta. Gosto de livros de dores adolescentes, e esse entrou fácil na minha lista de prediletos na categoria. Muito, muito amor por essa história. 


Chronos e as várias viagens no tempo para lá de loucas!

Título: Chronos
Autor: Rysa Walker
Editora: Darkside
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Sinopse: Na vida, tudo tem uma ordem certa para acontecer: os sapatos devem ser colocados depois das meias, a geleia deve ser passada no pão depois da manteiga — netos nascem depois dos avós. Kate Pierce-Keller nunca havia dado atenção a este último item, até sua avó surgir com revelações e um objeto que podem colocar sua existência em risco.Os eventos da premiada Trilogia Chronos se iniciam quando Kate descobre que sua avó é uma historiadora viajante do tempo — nascida alguns séculos à frente, mas presa ao presente por conta de um acidente — e possui um artefato, um medalhão azul reluzente, que permite realizar saltos temporais para qualquer época e local.
Tudo parece um absurdo no início, mas uma leve interferência na linha temporal faz com que os pais de Kate sumam do mapa e ela seja a próxima da lista. Arriscando sua vida, ela aceita a missão de tentar voltar no tempo para evitar um homicídio que é a chave de tudo e colocar as coisas no seu devido lugar. Mas se ela for bem sucedida, a interferência também terá um custo pessoal.
Neste primeiro volume, o leitor é transportado para a Exposição Universal de 1893, em Chicago, quando a Roda Gigante foi apresentada pela primeira vez e o serial killer H. H. Holmes dirigia um hotel construído especialmente para receber os visitantes da feira (e sumir com seus corpos). Em meio a tantos fatos históricos e curiosos, Kate precisa agir pontualmente para não estragar nada, e ainda impedir a ascensão de um culto religioso bastante poderoso que ameaça afetar o universo como o conhecemos.
A viagem no tempo sempre fascinou o ser humano e foi tema de obras que marcaram época como o clássico A Máquina do Tempo, de H. G. Wells, O Fim da Eternidade, de Isaac Asimov, o filme mais querido da década de oitenta, De Volta para o Futuro, o cult que impressionou uma geração, Donnie Darko, e a aclamada série Outlander, de Diana Gabaldon. Todo mundo já quis mudar alguma coisa do seu passado, mas é difícil calcular o impacto disso no presente. Além do mais, quem decide que essa mudança pode ser feita? Esses e outros dilemas são construídos e trabalhados de maneira afiada por Rysa Walker em seu romance de estreia, que chega ao Brasil pela DarkSide® Books em uma edição especial que vai durar séculos — e deixaria até mesmo Doctor Who curioso.
Chronos: Viajantes do Tempo, o primeiro volume da Trilogia Chronos, foi ganhador do prêmio Amazon Breakthrough Novel Award em 2013 e, com isso, recebeu o sinal verde para ser impresso pela Skyscape Publishing, um selo editorial da Amazon. Com o reconhecimento da obra, Rysa Walker passou a se dedicar integralmente ao seu ofício de escritora e deu continuidade às viagens de Kate pelas décadas. Agora, a autora também integra a coleção DarkLove, a linha editorial da DarkSide® Books que revela as vozes femininas mais surpreendentes do nosso — e de qualquer outro — tempo.

Chronos me ganhou a princípio pela capa - os livros da Darkside são um show a parte - e pela sinopse intrigante. Vamos combinar que ler sobre viagem no tempo sempre é uma das delicinhas da ficção científica. E da forma deliciosa que a autora fez aqui, fica melhor ainda. 

Olha, livros com viagens no tempo podem ser complicados de explicar, então vou tentar fazer o melhor que puder aqui, ok? 

Para começar temos essa menina, Kate, que tem uma família bem desestruturada. Não do tipo "meu pai bate em mim", porque tanto o pai como a mãe são ótimos. Mas estão divorciados, não se falam muito e a menina é obrigada a dividir o tempo de maneira que esteja igualmente com os dois. E ainda tem a avó, que aparentemente teve uma briga grande com a mãe de Kate no passado e não vê a filha ou a neta há anos. 

Mas isso está prestes a mudar quando ela as procura para dizer que está morrendo, que quer um pouco da presença da neta antes disso, e para te deixar um medalhão aparentemente inofensivo. Bem, pelos menos em teoria, porque para pessoas como Kate, ele é um poderoso recurso para viajar no tempo. 

Entenda que nessa história a viagem no tempo é quase uma ciência. Sim, algumas pessoas nascem com predisposição a usar o tal medalhão, mas ainda assim é algo com um regime firme de um tipo de organização dos viajantes do tempo e que necessitada do recurso do objeto para funcionar. Então, como Kate, existem várias outras pessoas com esse poder. Eles são uma espécie de documentadores da história. Viajam para fazer estudos. Isso até alguém começar a alterar a história, e Kate se vê envolvida nisso afim de mudar os planos da tal pessoa. 

Devo dizer que a sinopse desse livro não ficou tão boa. Ele fala de um momento específico que Kate tem que ir, e de um assassino em série, no entanto isso se dá já no finalzinho do livro, e quando acontece é tão curto que passa e a gente nem sente. 

O foco da história é Kate tentando aprender a usar o tal medalhão com a avó, e em dois romancecinhos que ela arranja -sim, porque um triângulo é algo comum em livros adolescentes. E já vou avisando que são terrivelmente mal desenvolvidos, portanto não espere muito disso nesse primeiro volume. 

Para mim os pontos fortes se devem a sacada da autora em utilizar a viagem no tempo como uma espécie de ciência do estudo da história, e não apenas uma pré-disposição genética a ela. E ainda que o livro tenham páginas intermináveis de cenas lentas demais, num todo eu gostei. Decidi que quero ler os próximos, porque tem muita coisa para explicar aqui ainda. 

Vingança e Redenção, uma montanha russa de emoções

Título: Crooked Kingdom - Vingança e Redenção
Autor: Leigh Bardugo
Editora: Gutenberg
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Sinopse: “Confiar na pessoa errada pode custar a própria vida.”Após se safarem milagrosamente de um ousado e perigoso assalto na notória Corte do Gelo, Kaz Brekker e sua equipe se sentem invencíveis. Mas o destino está prestes a dar uma perigosa guinada e, em vez de dividir uma vultosa recompensa, os seis comparsas terão que se munir de forças, de armas e de seus talentos para lutar pelas próprias vidas. Traídos e devastados pelo sequestro de um valioso membro da equipe, o Clube do Corvo agora conta com poucos recursos e aliados, e quase nenhuma esperança. Enquanto isso, forças descomunalmente poderosas se abatem sobre Ketterdam para desenterrar os segredos mais sombrios da potente droga conhecida como jurda parem, ao passo que antigos rivais e novos inimigos surgem para desafiar a perspicácia de Kaz e testar a frágil lealdade de seus parceiros. Agora, todos terão de enfrentar seus próprios demônios, e será preciso muito mais do que sorte para sobreviver à guerra que está se armando nas ruas obscuras e tortuosas desse implacável submundo – uma batalha por vingança e redenção que decidirá o futuro do mundo Grisha.


Levei praticamente três meses para acabar esse livro. E longe dele ser ruim, julgo dizer que foi uma das melhores experiências da vida, mas ele exigia muito de mim. De ter que dizer adeus a personagens que eu realmente era bastante apegada. Foi um parto fechá-lo pela última vez. Ainda acho que um pedaço de mim ficou ali, e estou desolada por isso. 

Todo mundo que leu Six Of Crows sabe que aquele final matou o leitor, não é? O tipo de fim que você fica falando palavrões por horas só para aplacar os acontecimentos malucos que se desenrolam nele. E, como uma perfeita continuação, Crooked Kingdow segura bonito o peso da primeira história. Com uma verdadeira maestria, para falar a verdade. 

Todo mundo sabe que não morri de amores pela outra série da autora. Tinha momentos bons, mas de modo geral era maçante e eu tinha um verdadeiro ranço com a protagonista. Portanto, foi uma série legal e só isso.  Mas Six of Crows... Ah, meus amigos... é um verdadeiro deleite para os amantes de fantasia. E não é só por ter o mais incrível grupo de bandidos reunidos envolta do melhor deles - Kaz - como por em nada perder em ritmo a ponto de ser cansativo. Claro que tem seus momentos tensos, mas de modo geral o leitor é surpreendido pela quantidade constante de interjeição que a história provoca em nosso cérebro. 

Não há muitos momentos de respiro, e os que tem são regados a planos mirabolantes que você acha que entendeu tudo, mas que na verdade a autora te faz de trouxa em todas as vezes. Nunca, nem um milhão de anos, eu imaginaria tudo aquilo. Era uma surpresa atrás da outra, e eu morria de amores por cada uma delas, sem contar que xingava a maestria de Leigh cada vez que percebia que Kaz estava um passo na frente dos outros. 

Para mim o forte dessa série sempre foi os protagonistas. A autora conseguiu fazer seis pessoas individualmente perfeitas, e que em conjunto se tornam as criaturas mais inteligentes e perigosas do mundo. Eles são FODA! 

E não diferente do primeiro volume, esse aqui também é cheio de tiros, explosões e bombas. Parecia que eu estava assistindo aquele tipo de filme frenético que sempre te engana no final, saca? Tipo um Truque de Mestre. Sim, meu querido Kaz Brekker é um Mestre com "M" maiúsculo. 

Estou com saudade, com certeza. Amo esses garotos, amo o ritmo desse livro e toda a trama que se desenvolve nele. É o tipo de história que você, amante de fantasia, vai querer manter na estante pelo simples prazer de tê-la lá e ser uma constante lembrança de quão foda um autor pode ser. 

Claro que não bateu Red Rising no segundo lugar no meu coração - tá para nascer um livro que desbanque Red Rising, mas Six Of Crows, e sua continuação maravilhosamente perfeita, vem logo atrás. 

Resenha de "Um Sedutor sem Coração" (Lisa Kleypas)

Título: Um Sedutor sem coração
Autor: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
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Sinopse: Devon Ravenel, o libertino mais maliciosamente charmoso de Londres, acabou de herdar um condado. Só que a nova posição de poder traz muitas responsabilidades indesejadas – e algumas surpresas.A propriedade está afundada em dívidas e as três inocentes irmãs mais novas do antigo conde ainda estão ocupando a casa. Junto com elas vive Kathleen, a bela e jovem viúva, dona de uma inteligência e uma determinação que só se comparam às do próprio Devon.
Assim que o conhece, Kathleen percebe que não deve confiar em um cafajeste como ele. Mas a ardente atração que logo nasce entre os dois é impossível de negar.
Ao perceber que está sucumbindo à sedução habilmente orquestrada por Devon, ela se vê diante de um dilema: será que deve entregar o coração ao homem mais perigoso que já conheceu?
Um sedutor sem coração inaugura a coleção Os Ravenels com uma narrativa elegante, romântica e voluptuosa que fará você prender o fôlego até o final.

Olha, de modo geral esse foi um dos romances de época que mais gostei de ter lido. O que rendeu crítica por parte de outras pessoas, foi algo positivo para mim. O achei maduro e com um tempo de construção de relacionamento convincente entre o casal. Claro que depois de Mais Lindo que a Lua, tudo é lucro em relação a tempo de relacionamento. 

Nesse livro vamos conhecer Devon Ravenel, que depois da morte do primo acabou herdando suas terras e o comando da sua casa, com a viúva dentro e mais as três irmãs dele. E isso era algo que certamente Devon não queria, visto que a terra está afundando em dívidas, e ele é do tipo que gosta de curtir a vida com liberdade. Mas algo em Kathleen, a viúva, tira Devon dos eixos, e ele começa a pensar na possibilidade de cuidar do lugar e das mulheres, invés de simplesmente vender tudo. 

Um romance de época, e portanto tem muito do mesmo. Mas surpreendentemente tem muita coisa nova também. Primeiro que a mocinha, a qual recebeu muitas críticas por parte de muita gente, é um deleite. Ela realmente é atrevida e tem muitos nomes feios na ponta da língua. Quando as pessoas dizem que todas as mocinhas desses livros são empoderadas é porque não conheceram Kathleen ainda. Isso sim é uma mocinha pra frente. Tanto que ela passa a sensação para muita gente de que é chata. Pessoalmente a adorei. 

Outro super ponto positivo é que o livro não fica apenas focado no casal principal, rendendo muitas cenas gracinhas para a a irmã mais velha e Rhys, o próximo casal da série. Ajuda a dar uma descansada na história. 

E ai vai mais um ponto super bacana, que é o irmão de Devon. Ele é de longe meu personagem favorito. Tem um humor maravilhoso, é super amigo do irmão e das meninas. Uma pessoa que realmente queria ter ao meu lado. Me conquistou desde o princípio, e é um personagem que visivelmente cresce com a trama. Só não entendi o por quê ele ficou sem livro próprio. Pelo o que vi da série, apenas as meninas tem livros. Uma decepção, porque posso dizer que ele é um xodozinho. 

Enfim, o livro tem muitos momentos maravilhosos. Dos últimos romances que li, ele foi de fato meu predileto. Claro que tem os clichês, ou não seria um romance de época, mas são superáveis dentro do contexto geral da obra. Gostei mesmo. 

Resenha de "A Mulher na Janela" (A.J. Finn)

Título: A Mulher na Janela
Autor: A. J. Finn
Editora: Arqueiro
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Sinopse: Anna Fox mora sozinha na bela casa que um dia abrigou sua família feliz. Separada do marido e da filha e sofrendo de uma fobia que a mantém reclusa, ela passa os dias bebendo (muito) vinho, assistindo a filmes antigos, conversando com estranhos na internet e... espionando os vizinhos. Quando os Russells – pai, mãe e o filho adolescente – se mudam para a casa do outro lado do parque, Anna fica obcecada por aquela família perfeita. Até que certa noite, bisbilhotando através de sua câmera, ela vê na casa deles algo que a deixa aterrorizada e faz seu mundo – e seus segredos chocantes – começar a ruir. Mas será que o que testemunhou aconteceu mesmo? O que é realidade? O que é imaginação? Existe realmente alguém em perigo? E quem está no controle? Neste thriller diabolicamente viciante, ninguém – e nada – é o que parece. "A Mulher Na Janela" é um suspense psicológico engenhoso e comovente que remete ao melhor de Hitchcock.

Fazia tempo que não lia um thiller, e como ando em um momento de leitura de querer me ausentar da minha zona de conforto, não pensei duas vezes em solicitar A Mulher na Janela. Não me arrependi de jeito nenhum. Acabei conseguindo sair da ressaca literária que tinha me enfiado mês passado por causa dele. Porque uma coisa é certa... você não vai conseguir parar de ler até chegar a última página. 

Anna Fox. Esse é o nome da nossa protagonista e a peça central de onde vão se ramificando situações e problemáticas para a construção genial desse livro. Ao meu ver, ela é o melhor do livro. Há meses não encontro uma protagonista tão boa quanto a Anna, e ela nem o tipo badass que tanto gosto, mas é tão bem feita em seus defeitos e qualidades que entrou fácil na lista de prediletas. 

Anna é uma psicóloga que passou por um grande trauma e desde então vem sendo tratada para algumas fobias. Uma delas é de encarar o lado de fora de casa. Tudo o que Anna faz tem que ser dentro daquelas paredes. É onde se sente segura e confortável. E como uma boa reclusa, Anna acha hobbys estranhos. Um em especial. Ela gosta de observar os vizinhos, do tipo stalker mesmo. De ver a hora que saem, que chegam, o que fazem em casa. Esse é um dos passatempos prediletos dela. E quando os Russells chegam na vizinhança, Anna passa a fazer o mesmo com eles. Só que algo incomum rodeia aquela família, e ela passa a ficar obcecada para descobrir. 

Ok, devo salientar a princípio que, como disse no parágrafo acima, Anna é de longe o melhor da história. Uma personagem bem desenhada até no último fio do cabelo. Parece que ela de fato foi bolada por um psicólogo, porque era tão perfeita em suas reações às próprias ações que dava medo. Até as paranoias dela eram perfeitas, e me identifiquei bastante na história com elas. Também sofro de agorafobia, em uma intensidade menor, e faço um tratamento semelhante ao de Anna. Ou fazia antes de precisar parar os medicamentos para amamentar. Uma coisa é certa, vocês vão ser fármacos eficientes em doenças mentais depois de ler esse livro. 

A escrita do autor também é maravilhosa. Ele consegue dar vida em momentos neutros e prender o leitor de modo alucinante na vida de uma mulher que teoricamente é um tédio. Anna joga xadrez. Anna faz fisioterapia. Anna assiste muitos filmes antigos. Anna conversa com outros doentes mentais na internet. Anna come. Anna dorme. Anna... Estão entendendo? É só uma rotina de uma pessoa presa em casa, mas consegue ser incrível como você fica preso nesses detalhes. Eles acabam sendo importantes. 

Tive uns dois problemas com esse livro. O primeiro foi que o autor inseriu personagens e hoje, avaliando melhor, penso que foi só para dar mais possibilidades do "vilão" para o leitor. Porque de fato eles não contribuíram em nada para a história. O outro problema foi que descobri quem era o cara mau bem antes do deveria. Está bem ali, na cara do leitor, e só não percebe se for uma pessoa pouco atenta. Eu sou ótima com essas coisas porque não acredito na inocência de ninguém. Dificilmente me engano. Então não foi exatamente uma surpresa quando foi revelado. O tipo de cena chata que a pessoa conta como fez tudo. Por favor, autor, você foi foda o tempo todo e termina com um clichê desses? Tenha dó! 

Ainda assim considero um livro cinco estrelas. Ele tem um ritmo perfeito, uma ideia genial e uma protagonista que até então se tornou a minha predileta do ano. Não tem como não dar todas as notas para A Mulher na Janela, mesmo com as problemáticas de que falei. É um grande livro dentro do gênero dele, e merece o destaque que anda tendo nas redes sociais. 

Resenha de "Mais Lindo que a Lua" (Julia Quinn)

Título: Mais Lindo que a Lua
Autor: Julia Quinn
Editora: Arqueiro
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Sinopse: Considerada "a rainha dos romances de época" pela Goodreads, Júlia Quinn já atingiu a marca de 10 milhões de livros vendidos.
Mais Lindo Que a Lua, primeiro livro primeiro livro da série Irmãs Lyndon, é uma história irresistível sobre sobre reencontro e desafios, romantismo e perseverança.
Foi amor à primeira vista. Mas Victoria Lyndon era a filha do vigário, e Robert Kemble, o elegante conde de Macclesfield. Foi o que bastou para os pais dos dois serem contra a união. Assim, quando o plano de fuga dos jovens deu errado, todos acreditaram que foi melhor assim.
Sete anos depois, quando Robert encontra Victoria por acaso, não consegue acreditar no que acontece: a garota que um dia destruiu seus sonhos ainda o deixa sem fôlego. E Victoria também logo vê que continua impossível resistir aos encantos dele. Mas como ela poderia dar uma segunda chance ao homem que lhe prometeu casamento e depois despedaçou suas esperanças?
Então, quando Robert lhe oferece um emprego um tanto incomum – ser sua amante –, Victoria não aceita, incapaz de sacrificar a dignidade, mesmo por ele. Mas Robert promete que Victoria será dele, não importa o que tenha que fazer. Depois de tantas mágoas, será que esses dois corações maltratados algum dia serão capazes de perdoar e permitir que o amor cure suas feridas?

Sabe quando você lê um livro e ele é tão "nhem" que depois de dez dias você não faz ideia do que acontecia nele? Pois é. Estou aqui tentando lembrar do que acontece nessa história, e se não fossem minhas anotações no Diário de Leitura, estaria completamente perdida em fazer essa resenha. 

Nesse livro a autora vem com uma coisa bem clichê: Amor a primeira vista. Tá, aceitável para a época e a idade em que os personagens estavam no começo da história, e isso não foi exatamente o problema para mim, apesar de revirar os olhos uma ou duas veze com as declarações do casal. Pessoalmente não tenho paciência para esse instalove. 

Só que como algo sempre tem que dar errado, os planos de Robert e Victoria de ficarem juntos fura e eles precisam se separar com ódio mortal um do outro por conta de um mal entendido. Anos depois eles se reencontram e a paixão que sentiam começa a reacender. De maneira meio confusa para ela, e possessiva para ele, mas reacende. E talvez isso tenha sido a maior problemática entre os leitores: O desenvolvimento dos personagens. 

Vi muita gente nas redes sociais reclamando do comportamento de Robert. Sendo bem sincera, não vi ele fazendo nada que outros mocinhos dessa mesma categoria de romance não tenham feito antes. Ou eu me tornei meio bruta, ou estão vendo demais onde não tem. Nada atípico para a época e para o estilo de vida que esses caras levavam. Já vi inclusive em outros personagens da Julia. 

Victoria sim, é um tanto insossa. O tipo de mocinha que me dá sono. Ficava se fazendo de forte e empoderada, mas desmanchava cada vez que o cara olhava bonito para ela. Isso para mim foi extremamente irritante. 

O livro segue a mesma linha de romances de época. Os mesmos picos de trama, e o mesmo desenrolar. Nada diferente que justifique esse "auê" que fizeram com a história. Passa bem longe de ser o melhor livro da autora - vide minha total ausência de memória quanto ao que acontece - mas também não é o pior. O Simplesmente o Paraíso é infinitamente pior para mim. 

Aquele livro para passar o tempo. Nada que vá arrancar suspiros, mas com certeza algo que vá ler rapidinho em um dia chuvoso. 

Resenha de "Mudbound" (Hillary Jordan)

Título: Mudbound - Lágrimas sobre o Mississippi
Autor: Hillary Jordan
Editora: Arqueiro (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Um amor proibido, uma traição terrível, uma agressão selvagem. Um romance de força impressionante, que nos faz mergulhar nas contradições do Mississippi pós-Segunda Guerra Mundial.Ao descobrir que o marido, Henry, acaba de comprar uma fazenda de algodão no Sul dos Estados Unidos, Laura McAllan, uma típica mulher da cidade, compreende que nunca mais será feliz. Apesar disso, ela se esforça para criar as filhas num lugar inóspito, sob os olhos vigilantes e cruéis de seu sogro.
Enquanto os McAllans lutam para fazer prosperar uma terra infértil, dois bravos e condecorados soldados retornam do front e alteram para sempre a dinâmica não só da fazenda, mas da própria cidade. Jamie, o jovem e sedutor irmão de Henry, faz Laura de repente renascer para a vida, enquanto Ronsel, filho dos arrendatários negros que trabalham para Henry, demonstra uma altivez que não será aceita facilmente pelos brancos da região.
De fato, quando os jovens ex-combatentes se tornam amigos, sua improvável relação desperta sentimentos violentos nos habitantes e uma nova e impiedosa batalha tem início na vida de todos.
Alternando a narrativa entre vários pontos de vista, este premiado romance oferece ao leitor diferentes versões dos acontecimentos. Os personagens, lutando por sentimentos de amor e honra num lugar e época brutais, se veem dentro de uma tragédia de enormes proporções e encontram redenção onde menos esperam.
Sou uma leitora que essencialmente demora para pegar livros com temáticas históricas. Não porque desgosto, mas porque gosto tanto que levo uma eternidade lendo, e fico com a história na cabeça por semanas depois que acabo. Normalmente são esses livros que me colocam de ressaca literária, e não estou podendo me dar o luxo de ter ressaca. Não com a quantidade de livros parados na estante. 

Então eu fui com calma quando pensei em pedir Mudbound. Estava interessada na sinopse desde que soube do lançamento do filme, e era o tipo de livro que gostava. Aquela coisa de retratar o negro de um modo quase animalesco para a época e o local. Minha curiosidade acabou vencendo o temor, e recebi o livro em casa para avaliação. E gente, que livro! 

Se você é daqueles que curtem O Sol é para Todos e uma boa parte de E o Vento levou, vai se ambientar fácil nessa história. Não que as épocas sejam semelhantes, estamos falando de tempos distintos da história, mas é incrível como os americanos tem ainda essa coisa forte contra os negros independente do tempo. Claro que não é a mesma coisa do que na época da Guerra Civil, por exemplo, mas ainda está lá. Cutucando quem ousar explorar. 

Em Mudbound nós conhecemos duas famílias. Os McAllan, formada essencialmente de pessoas brancas e os Jackson, formada por negros. Ambos com um certo tipo de ambição na vida, e ambas com determinadas limitações para realizar seus sonhos. E de modo geral a história do livro vai se desenvolver ao redor dessas pessoas. Sobre seus desejos e como as vezes não é a cor que determina o nível de sucesso, ainda que ela seja um condicionante importante quando seus sonhos dependem de um lugar tão preconceituoso como o Mississippi no começo do século XX. 

É um livro que vai falar sobre as classes sociais, e aqui não me refiro apenas a brancos, negros; pobres ou ricos. Mas ao gênero também. Que o fato de ser pobre, negro e mulher, por exemplo, te coloca em uma subcategoria de vida abaixo das demais. E mesmo assim, dependendo do seu grau de força para suportar e lutar pelas coisas, isso pode não querer dizer absolutamente nada. 

Mudbound é um "tratado" social sobre uma determinada época, um determinado lugar e pessoas que por acaso ali estavam. Do mesmo modo que foi com os McAllan e os Jackson (atente para os nomes tipicamente clássico para cor de pele), podia ter acontecido semelhante com quaisquer outras famílias, e acho que essa foi a máxima da autora quando abordou esse tema, que é de certo modo manjado, mas apenas se você seguir uma linha fixa do que escrever. Mude os óculos e terá outros olhos para um momento ou situação. Foi isso que Hillary fez aqui. 

O único motivo de ter tirado uma única estrela do livro foi porque ele me entregou um material diferente do que esperei, principalmente na finalização da obra. E talvez não estivesse no momento correto para ler esse tipo de livro. Ainda assim, é um livro grandioso. Se não fosse, não teriam transformado em um filme tão grandioso quanto. 

Resenha de "É assim que acaba" (Colleen Hoover)

Título: É assim que acaba
Autor: Colleen Hoover
Editora: Galera Record
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Sinopse: Um romance sobre a força necessária para fazer as escolhas corretas nas situações mais difíceis. Da autora das séries Slammed e Hopeless.Lily nem sempre teve uma vida fácil, mas isso nunca a impediu de trabalhar arduamente para conquistar a vida tão sonhada. Ela percorreu um longo caminho desde a infância, em uma cidadezinha no Maine: se formou em marketing, mudou para Boston e abriu a própria loja. Então, quando se sente atraída por um lindo neurocirurgião chamado Ryle Kincaid, tudo parece perfeito demais para ser verdade. Ryle é confiante, teimoso, talvez até um pouco arrogante. Ele também é sensível, brilhante e se sente atraído por Lily. Porém, sua grande aversão a relacionamentos é perturbadora. Além de estar sobrecarregada com as questões sobre seu novo relacionamento, Lily não consegue tirar Atlas Corrigan da cabeça — seu primeiro amor e a ligação com o passado que ela deixou para trás. Ele era seu protetor, alguém com quem tinha grande afinidade. Quando Atlas reaparece de repente, tudo que Lily construiu com Ryle fica em risco. Com um livro ousado e extremamente pessoal, Colleen Hoover conta uma história arrasadora, mas também inovadora, que não tem medo de discutir temas como abuso e violência doméstica. Uma narrativa inesquecível sobre um amor que custa caro demais.


Resenha de "As Crônicas de Marte" ( Vários Autores)

Título: As Crônicas de Marte
Autor: Vários Autores
Editora: Arqueiro
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Sinopse: Uma princesa de Marte e As crônicas marcianas, dos mestres Edgar Rice Burroughs e Ray Bradbury, foram clássicos que influenciaram a imaginação de milhões de leitores e mostraram que aventuras espaciais não precisavam se passar numa galáxia distante, a anos-luz da Terra, para serem emocionantes. Elas poderiam ser travadas logo ali, no planeta vizinho.Antes mesmo do programa Mariner e da corrida espacial, a imaginação povoava nosso sistema solar com seres estranhos e civilizações ancestrais, nem sempre dispostos a fazer contato amigável com a Terra. E nesse período, de todos os planetas que orbitavam o nosso Sol, nenhum tinha uma aura de maior romantismo, mistério e aventura do que Marte.
Com contos escolhidos e editados por George R. R. Martin e Gardner Dozois, As crônicas de Marte retoma esse sentimento ao celebrar a Era de Ouro da ficção científica, um período recheado de histórias sobre colonizações interplanetárias e conflitos antigos.
Para essa missão, autores consagrados como Michael Moorcock, Mike Resnick, Joe R. Lansdale, S. M. Stirling, Mary Rosenblum, Ian McDonald, Liz Williams e James S. A. Corey foram convidados a regressar ao misterioso planeta vermelho, aqui representado como um destino exótico, com canais ancestrais, desertos, cidades em ruínas, civilizações impressionantes... e, é lógico, perigos inimagináveis.
Enfim, o bom e velho Marte está de volta

Tá, não sou exatamente fã de livros de contos. Na verdade, tenho muita dificuldade com esse tipo de literatura. Gosto de criar uma intimidade com os personagens, e com contos a dificuldade quanto a isso é grande. Não há tempo suficiente. Mas quando a editora veio com um livro de contos que se passa em Marte, eu pirei. Vamos combinar, sou completamente ensandecida por ficção científica que se passa no espaço. Então acabei solicitando. 

Apesar de, para mim, a melhor coisa do livro ter sido a apresentação do Martin -realmente viajei legal na introdução dele sobre o planeta vermelho, e até me senti ligada ao autor pelas ideias que ele tinha sobre toda a teoria do lugar, As Crônicas de Marte tem seus méritos como livro de contos. 

Acredito que os organizadores souberam mesclar muito bem histórias diferentes nesse livro. E não só de enredos diferentes, mas de linguagem diferente. Tem protagonistas homens incríveis, mulheres maravilhosas, e paisagens de perder o fôlego. Sim, porque não é difícil entrar na cabeça desses autores quando o assunto é imaginar o lugar que eles pintam em seus contos. Pessoalmente amei a ideia de uma Marte antiga do segundo conto do livro, apesar dele passar longe de ser meu predileto. 

Alguns com um pé na fantasia, outros na ficção científica pura, e alguns com uma mensagem um pouco mais sociológica, todos os contos deixam uma sensação interessante. As vezes de uma cabeça mais criativa de um autor, outras vezes realmente de uma coisa mais bruta, mais real. Mas os quinze contos foram bem selecionados para agradar gregos e troianos no quesito Marte. 


É lógica a devoção que alguns desses autores tem às histórias do escritor Edgar Rice Burroughs, que é um dos precursores de livros sobre o planeta vermelho num contexto de ficção. As referências estão todas lá, nas entrelinhas. Achei isso uma maravilha de se ler, já que acredito que não fomos agraciados com todos os livros do autor sobre a princesa Dejah e John Carter aqui no Brasil. Por mim, mais escritores fariam mais coisas usando o espaço como pontapé. Vamos combinar, ali tem muita corda para desenrolar. 

Meu conto predileto foi o terceiro, que é sobre um personagem pirata. Um pirata em Marte! Já imaginaram isso? Amo piratas e amo Marte. Uniram duas coisas que adoro em um único conto, então foi lógico gostar dele. Mas tem pra tudo quanto é gosto. Também adorei o conto As Tumbas dos Reis Marcianos, que tem um pitada grande em Indiana Jones e Allan Quatermain - também adoro esse estilo de história. 

Enfim, não foi o melhor livro que li, porque passo longe de contos sempre posso. Dificuldade enorme com histórias partidas. Parece que sempre está faltando algo delas. Mas As Crônicas de Marte não é de um todo um livro ruim. Acho que se fossem quinze livros completos sobre essas histórias eu iria gostar muito mais. Mas se tenho que me contentar com contos, que seja! Eles foram bem aproveitados.