Resenha de "Onze leis a se cumprir na hora de seduzir" (Sarah MacLean))

Título: Onze leis a cumprir na hora de seduzir
Autor: Sarah MacLean
Editora: Arqueiro (Cedido em parceria)
Sbook: Adicionar

Sinopse: Juliana Fiori é uma jovem ousada e impulsiva, que fala o que pensa, não faz a menor questão de ter a aprovação dos outros e, se necessário, é capaz de desferir um soco com notável precisão. Sozinha após a morte do pai, ela precisa deixar a Itália para viver com seus meios-irmãos na Inglaterra.Ao desembarcar no novo país, sua natureza escandalosa e sua beleza estonteante fazem dela o tema favorito das fofocas da aristocracia. Pelo bem de sua recém-descoberta família britânica, Juliana se esforça para domar seu temperamento e evitar qualquer deslize que comprometa o clã. Até conhecer Simon Pearson, o magnífico duque de Leighton.
O poderoso nobre não admite nenhum tipo de escândalo e defende o título e a reputação da família com unhas e dentes. Sua arrogância acaba despertando em Juliana uma irresistível vontade de desafiá-lo e ela decide provar a ele que qualquer um – até mesmo um duque aparentemente imperturbável – pode ser levado a desobedecer as regras sociais em nome da paixão.
 Como eu digo sempre quando se trata de resenhas de romances de época, não espere muito deles no quesito surpresas. São livros padrões, com histórias padrões que você sabe como começa e sabe como termina. Ainda assim eu afirmo com veemência que se vocês gostam de romance, não tem coisa melhor para curar uma ressaca literária ou passar um tempo do que o romance de época.

Para quem leu os outros livros dessa série, sabe que Juliana, a protagonista desse, é irmã por parte de mãe dos gêmeos dos livros anteriores.  Não é filha legitima do legado da família, mas é da família por algum lado, e eles a acolheram com amor. O problema é a que a sociedade não foi tão amorosa assim, e para os outros Juliana nada mais é do que a filha da traição da mãe deles com um italiano, que por si só parece ser um insulto, visto que os italianos não tem a quantidade de regras sociais que os ingleses tem. 

Do outro lado dessa história temos um duque super lindo e maravilhoso (porque a grande maioria deles é) Simon Pearson, que preza por demais pelo bom nome da família e não quer ver sua reputação arruinada por ser visto com alguém com tão má fama, como Juliana. Acontece que a vida é estranha, e os coloca sempre juntos nas situações mais bizarras. É óbvio que vão começar a sentir algo um pelo outro. 

Olha, eu comi esse livro em uma tarde. É leve, com momentos divertidos e eu queria muito ver em que momento a boçalidade de Simon iria cair para dar vez ao que sentia pela italiana. Os dois personagens tem um trabalho muito bom de construção. Seja o temperamento e a culpa de Juliana, como a responsabilidade pelo nome que Simon sente. Ambos com suas problemáticas individuais e ainda assim com uma terceira, quando estão juntos. Gosto de como eles funcionam. 

Curto bastante a Sarah MacLean escrevendo. Apesar de achar que em algum momento dos livros ela perde o foco do que esta fazendo, ela é boa no que faz. É um livro de padrões? Sim, porque todo romance de época é, mas é um livro que começa e termina dentro do que é proposto dele. A graça desse tipo de literatura é ver a redenção dos personagens quando se descobrem apaixonados. Aliás, a cena super expansiva de Simon declarando seu amor é muito, muito fofa! Apesar de que tive minha cota de raiva de Juliana nesse momento. Vai problematizar a vida assim no inferno!

Também gosto do relacionamento dos irmãos. Eles são ótimos juntos, e dão uma super força nas escolhas e na vida da irmã caçula. 

Não tenho certeza se essa série acaba aqui - acho que sim - mas preciso reforçar o quanto gosto dela como um todo. Não é longa, é bem escrita e tem  aquela coisa que sempre nos deixa suspirando no fim. #Queroumamordeépocaparamim

Resenha "Amanhã eu paro!" ( Gilles Legardinier)

Título: Amanhã eu paro!
Autor: Gilles Legardinier
Editora: Arqueiro
Skoob: Adicionar


Sinopse: Como todo mundo, Julie já fez muitas coisas idiotas na vida. Ela poderia contar sobre a vez que resolveu descer a escada enquanto vestia um suéter e caiu nos degraus, ou quando tentou consertar um plugue ligado na tomada segurando o fio com a boca, ou quem sabe falar de sua fixação pelo novo vizinho que nunca viu: Ricardo Patatras.Julie tem o irritante hábito de fazer as maiores loucuras quando está apaixonada. E essa obsessão a leva a prender a mão na caixa de correio do vizinho enquanto espiona uma misteriosa carta... E o pior, ainda é flagrada pelo próprio dono da correspondência.
Mas isso não é nada, nada mesmo, se comparado às maluquices que ela vai fazer para se aproximar desse homem e descobrir seu grande segredo. Movida por uma criatividade sem limites, intrigada e atraída por um desconhecido que mora tão perto, Julie assume riscos cada vez mais delirantes, sem perceber que pode cair na própria armadilha.
Com mais de 3,5 milhões de livros vendidos, Gilles Legardinier mostra em Amanhã Eu Paro! uma história original e irreverente que com certeza fará o leitor morrer de rir.

Tinha tudo para ser um livro leve, engraçado e divertido, e tudo bem que ele tem um pouco de todos esses elementos, mas de modo geral foi um livro meio decepcionante e cansativo. Sério, levei muito tempo para ler um livro tão fino. Já estava em pânico por causa disso. 

A vida de Julie está uma merda. Separada há pouco tempo, ainda remoendo a solteirice, e num emprego que detesta. O tédio de sua vida muda quando um novo vizinho se instala no apartamento de cima. E aí começa a insanidade da vida da mulher, porque ela é louca e faz de um tudo pelo o que ela quer, e isso inclui conhecer Ricardo Patatras, ser amiga de Ricardo Patatras e namorar Ricardo Patatras. 

Agora imagina uma pessoa que faz das coisas mais bizarras para se chegar num cara. Imaginaram? Eis nossa Julie! 

Meu problema inicial com esse livro foi justamente a personagem. Ela é divertida, mas é meio psicótica. Acaba de conhecer o cara e ele já é o amor de sua vida? Peraí, minha amiga! Venha aqui e vamos prosear. 

Não gosto de relacionamentos que se formam  assim. Não vejo muita verdade neles, saca? Mas dai eu lembro que é um livro de comédia romântica e que a ideia dele é ser surreal com situações loucas mesmo. Talvez eu seja muito velha ou muito ranzinza. Não sei, só não me agradou. 

Gosto dos momentos divertidos nele. Não são daqueles forçados que nos fazem ficar agoniados. São divertidos porque a personagem é atrapalhada demais e as situações que ela se mete são enroladas demais, para combinar com ela. Nada que faça você gargalhar, mas certamente vai te fazer dar uma ou duas risadas. 

Mas, apesar de achar o livro divertido, eu o achei cansativo. Demorei muito para acabar, e acredito que tenha sido por não me entrosar bem com a protagonista. Gostava das situações, mas não curtia ela. Dá para entender? Sem contar que lá no meio o autor coloca uma situação para justificar a reserva de Ricardo que me deixou tipo... heim? Não rolou, amigo! 

Não curti muito o final. É fofinho e tal, mas como comentei aqui, sou depressiva demais para coisas muito felizes. Tá Carol, para! O livro é para ser alegre. Fazer o que se sou o lado Mandy de As Aventuras de Billy e Mandy? 

É um bom livro para passar algumas horas quando não se tem mais nada de interessante na estante dentro do gênero. Mas não o indicaria. Lembrando que isso é uma opinião minha, ok? Passo longe de ser uma referência de livros para rir. 

Resenha de "Quinze Dias" (Vitor Martins)

Título: Quinze Dias
Autor:Vitor Martins
Editora: GloboAlt
Skoob: Adicionar

Sinopse: Felipe está esperando por esse momento desde que as aulas começaram: o início das férias de julho. Finalmente ele vai poder passar alguns dias longe da escola e dos colegas que o maltratam. Os planos envolvem se afundar nos episódios atrasados de suas séries favoritas, colocar a leitura em dia e aprender com tutoriais no YouTube coisas novas que ele nunca vai colocar em prática. Mas as coisas fogem um pouco do controle quando a mãe de Felipe informa que concordou em hospedar Caio, o vizinho do 57, por longos quinze dias, enquanto os pais dele estão viajando. Felipe entra em desespero porque a) Caio foi sua primeira paixãozinha na infância (e existe uma grande possibilidade dessa paixão não ter passado até hoje) e b) Felipe coleciona uma lista infinita de inseguranças e não tem a menor ideia de como interagir com o vizinho.
Os dias que prometiam paz, tranquilidade e maratonas épicas de Netflix acabam trazendo um turbilhão de sentimentos, que obrigarão Felipe a mergulhar em todas as questões mal resolvidas que ele tem consigo mesmo.

Vou confessar... Eu já pego livros de Youtubers com um pé atrás. Não gostei da grande maioria a que tive acesso, mas resolvi dar uma chance porque gosto bastante do trabalho de Vitor com o canal, e Quinze Dias não é algo sobre a vida dele, mas uma história romanceada. Além de que a espessura do livro é dessas que atraem qualquer um que esteja saindo de casa e pretendem passar algumas horas na recepção do médico. Foi o meu caso. 

O livro vai contar sobre esses quinze dias de férias de Felipe, que é um adolescente gordo e gay. A mãe dele se oferece para ficar com o vizinho, também adolescente,Caio, enquanto os pais do garoto estão viajando. Acontece que esse Caio é um crush de Felipe desde que eram novos. Claro que o outro não tem ideia disso. 

Imagine o inferno que esse coitado vai passar no começo dessas férias! Pois é. 

Apesar de ser um livro curto, é um livro com temas bastante pertinentes e todos bem trabalhados, dentro do que se propõe. Não me lembro de ter lido outros livros com protagonistas gordos e gays. Normalmente ou é uma coisa ou outra. O fato do autor ter construído esse biotipo de menino deve ter feito um fuzuê na cabeça de muitos leitores que se enxergam exatamente como Felipe, que tem uma certa neura acerca do seu corpo e das suas escolhas sexuais. Para ele é como se ser ambas coisas fosse um atestado de óbito antecipado. 

O livro já começa com uma apresentação deliciosa acerca da vida do personagem. Prova viva de que não é necessário páginas e mais páginas para explicar uma rotina, por exemplo. O que existe de importante para saber sobre Felipe, é mostrado sem demora ou a necessidade de problematizar algo que é problemático.

O plot da história está justamente na ida do vizinho para a casa dele durante essa temporada. Nela a gente vê como Felipe se porta em relação ao sexo oposto, e entende de forma menos caricata sobre o que pensa do seu corpo quando se trata de outras pessoas e do que elas pensam acerca dele. É como se no início a gente visse um Felipe tirando onda da própria condição, e quando Caio entra na jogada entendemos o quanto aquilo é sério para ele. O quanto o isola de viver. 

Em poucas páginas Felipe se reconstrói. Claro que estamos falando de uma pessoa que vive em constante estado de alerta por conta do que ele chama de "problemáticas". Vemos esses quinze dias e um adulto, por exemplo, sabe que a jornada de dor não para ali. Que ainda que o final do livro seja lindo, é apenas um pequeno recorte da vida desse garoto. 

Enquanto mãe que sou, tento ver nesse tipo de livro um estudo. Penso como eu ensinaria meu filho a encarar situações semelhantes. Sei de gays e de gordos que vivem uma vida inteira sem se aceitar, e isso é uma completa merda. Penso que Vitor com seus Quinze Dias, abriu a porta de possibilidades e uma certa esperança para meninos na mesma situação. E sinceramente? Dou meu braço por alguém que salva a vida de outro através da literatura. 

Tem o tipo de final que a gente suspira, o que não me agrada porque sou byroniana demais para isso; mas enxergo o poder do livro como um recurso para os jovens, e entendo que quem o lê e está passando por uma situação parecida, precisa ter um pingo de expectativa de que as coisas deem certo para elas também. As vezes esquecem que só depende da gente para o mundo nos enxergar de maneira positiva. 

Pequeno, singelo e importante. Foi assim que vi Quinze Dias. 

Resenha de "O Sol também é uma estrela" (Nicola Yoon)

Título: O Sol também é uma estrela
Autor: Nicola Yoon
Editora: Arqueiro
Skoob: Adicionar

Sinopse: Natasha: Sou uma garota que acredita na ciência e nos fatos. Não acredito na sorte. Nem no destino. Muito menos em sonhos que nunca se tornarão realidade. Não sou o tipo de garota que se apaixona perdidamente por um garoto bonito que encontra numa rua movimentada de Nova York. Não quando minha família está a 12 horas de ser deportada para a Jamaica. Apaixonar-me por ele não pode ser a minha história.Daniel: Sou um bom filho e um bom aluno. Sempre estive à altura das grandes expectativas dos meus pais. Nunca me permiti ser o poeta. Nem o sonhador. Mas, quando a vi, esqueci de tudo isso. Há alguma coisa em Natasha que me faz pensar que o destino tem algo extraordinário reservado para nós dois.
O Universo: Cada momento de nossas vidas nos trouxe a este instante único. Há um milhão de futuros diante de nós. Qual deles se tornará realidade?

Essa autora... Ai ai, essa autora!  Muitos corações para ela. Ever... Ever...Ever!

Posso dizer com toda certeza que dos dois livros que li dela, esse é - de longe- o meu predileto. Gosto do outro, mas demorei para gostar dele. Esse aqui é tão inteligentemente bem elaborado que eu amei logo de cara. Personagens, lugares, ideias, construção da problemática na narrativa... Tudo é um ponto relevante para ter me feito dar todas as estrelas que podia, e querer mais outras para dar. 

Como em todo livro nesse gênero, temos dois protagonistas, e o livro vai abordar um pouco sobre a individualidade de cada um deles, como também como funciona o relacionamento da dupla. E então conhecemos Daniel, que é nascido nos EUA, mas que tem pais orientais. Carregam muito da cultura ainda, e isso meio que moldou a personalidade dele e do irmão mais velho, pesando no ombro deles o fato dos pais exigirem algo que não é muito de quem eles são, como cidadães americanos. Do outro lado temos Natasha, que é imigrante ilegal no país e que está prestes a ser deportada de volta para a Jamaica junto da família. 

Ela é uma menina das ciências. Não acredita em nada que não possa ser comprovado cientificamente. Ele é um poeta, literalmente! Escreve poemas em seu caderno de bolso e vê a vida em tons difíceis de qualquer cético entender. Acabam se esbarrando sem querer na rua, e passam a ser amigos meio que do nada - ou uma forçada de barra de Daniel. Parecem não combinar, e é justamente isso que vai fazer diferença na amizade deles. Se completam e somam de um modo maravilhoso de tão bem desenhado. 

E ainda que Daniel e Natasha sejam o foco dessa narrativa, eles não são os únicos retratados. A autora constrói o livro de um jeito que os coadjuvantes, aqueles que deveriam estar ali só para somar uma página a mais do livro, vão ter uma importância enorme lá na frente. É como se ela explicasse o universo e o efeito borboleta com essas pessoas ao redor deles, e como elas acabam influenciando em tudo para o casal. É simplesmente o ponto alto do livro. 

Não é só mais um romance adolescente. Talvez esse seja "o" romance adolescente. Tinha bastante tempo que não me impressionava com um livro como o fiz com esse, e como citei no parágrafo acima, não foi só pelo casal, e olhe que eles são maravilhosos, mas pela genialidade da autora para arquitetar e montar a espinha dessa história. O livro é todo incrível. Sério mesmo. 

A questão de imigração e cultura pesam fortemente aqui, como também as crenças de cada um deles sobre o universo. Acreditar na ciência... Acreditar no amor... Tudo em gira em torno de como eles ensinam suas ideias um para o outro, e como o outro cresce com isso. 

Recentemente uma amiga me questionou que os títulos dos livros da autora não tinham muita ligação com a história. Eu acho que Nicola é daquelas tão geniais, que coloca essa explicação em entrelinhas para que realmente não sejam desvendadas. Nesse livro em específico temos no título a referência do sol, que é uma estrela, de fato! E uma estrela é uma das primeiras coisas que a gente aprende na escola quando estudamos ciência. Ciência é tudo no qual Natasha acredita, logo esse sol é a ligação dela. Já a estrela na qual se refere o título, é algo bem subjetivo. É tipo para dizer que o sol também tem um papel na poesia, também é belo e brilha. E essa seria a ligação de Daniel. O sol também é uma estrela. Natasha também pode ser poesia. A ciência também pode ser Daniel. Confuso, né? rsrs. Juro que na minha cabeça faz sentido. 

Completo, dinâmico, cheio de frases que são verdadeiros socos no estômago. Eu diria que ele de fato foi feito para socar seu estômago. Então se vocês gostam desse tipo de livro e ainda não leram, é hora de começar a ler. 

Resenha de "A Melodia Feroz" (Victoria Schwab)

Título: A Melodia Feroz
Autor: Victoria Schwab
Editora: Seguinte
Skoob: Adicionar

Sinopse: Kate Harker e August Flynn vivem em lados opostos de uma cidade dividida entre Norte e Sul, onde a violência começou a gerar monstros de verdade. Eles são filhos dos líderes desses territórios inimigos e seus objetivos não poderiam ser mais diferentes. Kate sonha em ser tão cruel e impiedosa quanto o pai, que deixa os monstros livres e vende proteção aos humanos. August também quer ser como seu pai: um homem bondoso que defende os inocentes. O problema é que ele é um dos monstros, capaz de roubar a alma das vítimas com apenas uma nota musical. Quando Kate volta à cidade depois de um longo período, August recebe a missão de ficar de olho nela, disfarçado de um garoto comum. Não vai ser fácil para ele esconder sua verdadeira identidade, ainda mais quando uma revolução entre os monstros está prestes a eclodir, obrigando os dois a se unir para conseguir sobreviver.

                                                               

Não há como negar o quanto Schwab é boa em construir suas fantasias. Peguei-me por várias vezes pensando no que diabos acontece na cabeça dessa mulher para tirar ideias tão boas assim, como se fosse um coelho de uma cartola. Julgo dizer que seria mais simples tirar o coelho da cartola do que criar os universos que ela cria.

Esse é o primeiro livro da série (duologia?) Monstros da Violência. E aqui vamos conhecer dois personagens que estão em lados opostos de um guerra já antiga. Quase um Romeu e Julieta com monstros, sendo que o foco aqui passa longe de qualquer tipo de relacionamento entre os personagens. Aliás, acredito que isso seja uma característica dos livros da autora, porque o outro que li dela segue a mesma linha: Amizade crescente entre personagens de sexos opostos, mas nenhum envolvimento aparente. 

Não me peçam para explicar a estrutura da sociedade nessa história, ou a geográfica. Não entendi se o que se passa aqui é um tipo de universo paralelo, ou uma espécie de mundo em reconstrução pós guerra. Apenas sei desses dois lados que coexistem em uma paz forçada. Não se sabe quem é o vilão e quem é o mocinho, porque como isso é normalmente uma questão de ponto de vista, vai depender de por onde o observador está olhando. 

Temos Kate, que é filha de um homem que eu passaria muito longe, caso surgisse uma oportunidade. É do lado dela dessa geografia maluca que vemos os monstros com mais força, sendo mais cruéis. E por isso julgamos que esse seja o lado vilão, ainda que Kate não pareça nem remotamente ser do mal. Rebelde, fato, mas não do mal. Ela detesta monstros!

Do outro lado temos August, que é filho do líder também, e que é um monstro. Um tanto diferente dos cruéis do lado de Kate, mas um monstro que tem o poder de tirar vidas através da música, com seu violino. Ele e seus dois irmãos usam isso como punição para as pessoas que cometem crimes do seu lado da geografia, e por isso achamos que esse seja o lado bonzinho. 

Esses dois acabam indo estudar na mesma escola, e por causa de um plano elaborado por alguém que quer prejudicar a paz entre os lados, eles tem que deixar as diferenças esquecidas para trabalharem juntos. E eles funcionam bem pra caramba sendo amigos. O tipo de relacionamento que cresce lentamente, porque a autora é mestre em construir esse tipo de interação entre os personagens, e que começa de modo necessário, passando a ser por vontade e calor. Entendem o que quero dizer? O que inicia por obrigação com o tempo vira afeto. E não estou falando de amor, mas de respeito mútuo.

Eu só tenho um pequeno problema com os livros da autora, e só percebi que era com a escrita dela depois de dois livros lidos... Velocidade! Ela demora muito a colocar ritmo, e isso acaba cansando o leitor no início. Tá certo que por ser um livro de fantasia, a ambientação, tanto geográfica, quanto de personagens, se faz necessária, mas é tão minuciosa que pode vir a deixar o leitor cansado. Depois que você pega a gás, vai embora até o fim realmente afoito para ver como irá concluir. Até então demora um pouco.

Eu curto muito essa coisa da dualidade do bem e do mal no ser humano. E gostei bastante da autora ter explorado esse ponto com personagens que de fato são monstros, e aqui não digo apenas em monstros no sentido literal, mas ser cruel em níveis alarmantes o suficiente para transformar qualquer um em monstro. 

Também adoro a interação dos personagens, e amo o que foi feito com eles no final desse livro. Fica uma coisa do tipo... eu para lá e tu para cá, mas realmente faz sentido. Muito mais sentido do que um casal que se encontra em um dia e no outro estão fazendo juras de amor para o resto da vida. Essa separação, também presente no outro livro que li da autora, também no final, faz com o que o livro se torne mais realista. Não pelo sobrenatural nele, mas pela resposta emocional e humana das pessoas justamente ao sobrenatural nele. 

Em resumo, é uma boa fantasia. Demora um pouco para conseguir entrar nela, mas quando entra só sai quando chega ao fim. Schwab continua na minha lista de autoras prediletas dentro do gênero que escreve, 

Resenha de "A Química que há entre nós" (Krystal Sutherland)

Título: A Quimica que há entre nós
Autor: Krystal Sutherland
Editora: GloboAlt
Skoob: Adicionar

Sinopse: Grace Town é esquisita. E não é apenas por suas roupas masculinas, seu desleixo e a bengala que usa para andar. Ela também age de modo estranho: não quer se enturmar com ninguém e faz perguntas nada comuns.Mas, por algum motivo inexplicável, Henry Page gosta muito dela. E cada vez mais ele quer estar por perto e viver esse sentimento que não sabe definir. Só que quanto mais próximos eles ficam, mais os segredos de Grace parecem obscuros.
Mesmo que pareça um romance fadado ao fracasso, Henry insiste em mergulhar nesse universo misterioso, do qual nunca poderia sair o mesmo. Com o tempo, fica claro para ele que o amor é uma grande confusão, mas uma confusão que ele quer desesperadamente viver.


Saca aquele tipo de livro que não precisa de muito para ser grande? Eis ele! Fino e poderoso, como muitos dos grandes livros ocultos da humanidade que levam pouco mérito justamente pela quantidade de folhas. As pessoas precisam mesmo rever valores. 

Eu costumo curtir bastante livros com drama e romance jovem adulto. Só que, como a maioria dos gêneros, eu tenho meu limite para eles. Se pegar dois desses seguidos, é batata que vou achar repetitivo e maçante e dormirei em todas as páginas. 

Nesse livro conhecemos as história de Grace e Henry. Ele é um garoto "na dele" que tem como maior desejo se tornar editor do jornal da escola. Ela uma estranha que acabou de chegar no lugar, com um péssimo senso de moda, nenhum jeito social, mas inteligente demais para ser ignorada por ele. Ambos são convidados para trabalhar juntos no jornal, e esse é só o primeiro ponto que vai os unir. 

Devo admitir que li esse ao mesmo tempo que lia outro do mesmo gênero, o que deveria ser considerado um puta erro, e ainda que tenha comparado os dois, e isso é inevitável, eu consegui absorver coisas diferentes e maravilhosas deles. O de A Química que há entre nós certamente é a construção do relacionamento do casal na trama. De início parece um tanto apressada, como todo grande relacionamento adolescente, mas com o passar de páginas entendemos que ele não é o foco, apesar de ser todo o foco. Confuso isso, não é? Pois é, também acho, mas não encontro palavras que expliquem melhor quem são esses dois. 

Quando um adulto lê esse livro percebe que está velho. Sério, não estou tirando onda, poxa! Ver dois adolescentes se conhecendo e se gostando sem esperar muito em troca, e depois esperando demais em troca porque são adolescentes e é isso o que eles fazem, é o máximo! Comentei com uma amiga um dia desses e repito aqui... Quando há maturidade, há muito ponderamento sobre o que pode rolar. Sempre o cérebro vem na frente, e acaba que deixamos de viver coisas que poderiam ser incríveis por temor. Tá, elas também poderiam ser péssimas e colocar nosso cérebro na frente é só um modo de nos fazer racionalizar problemáticas para evitar nos magoar depois. É normal, mas não deixa de ser um tanto deprimente. 

A autora conduz o livro de modo a nos deixar nostálgicos. Tem passagens lindas, o relacionamento é bem trabalhado e distribuído para que não pese muito no ombro de nenhum deles de modo a nos fazer tomar partido, mesmo que a história nos mostre uma versão Henry de sentir. Há um equilíbrio interessante entre Grace e Henry, e ele é graças ao poder que Krystal tem em descrever quem são e o que são no universo de modo geral. 

Acredito que esse seja o tipo de livro para ser lido no momento certo da vida. Qual momento é esse? Só você saberá responder a essa pergunta. O que é um bom momento para mim, pode ser um péssimo momento para você. É tudo uma questão de valor. Sugiro pegá-lo quando sua vida estiver oca. Entende o que quero dizer? Quando sentir que algo falta. Esse é um sentimento inerente de qualquer ser humano, pelo menos duas vezes no mês. Aproveita um deles e vai ler. Vai ser um livro comum se não souber achar a magia nele, e a magia só se encontra no "momento certo". Já falei isso, não? 

Resenha de "A Promessa" (Harlan Coben)

Título: A Promessa
Autor: Harlan Coben
Editora: Arqueiro (Cedido em Parceria)
Skoob: Adicionar

Sinopse: Depois de ouvir duas adolescentes trocando confidências no porão de sua casa, Myron faz com que as garotas prometam ligar para ele se um dia estiverem em alguma encrenca e não tiverem coragem de recorrer aos pais em busca de ajuda. Ele garante que irá em seu socorro sem questionamentos, qualquer que seja a situação.Alguns dias depois, às duas da manhã, seu telefone toca. É Aimee Biel, uma das garotas a quem oferecera apoio incondicional. Abalada e nervosa, ela pede que Myron a deixe em frente a uma casa numa rua deserta, o suposto endereço de uma amiga. Apesar de sentir que alguma coisa está errada, Myron honra sua palavra e não faz perguntas.
Mas ele se arrependerá profundamente dessa decisão, porque talvez essa seja a última vez que Aimee será vista por alguém. Atormentado pela culpa – ao mesmo tempo que se torna o principal suspeito pelo misterioso desaparecimento –, Myron decide investigar o caso por conta própria.
Envolvido numa trama cheia de promessas desfeitas e segredos devastadores, ele descobre que essa não será apenas uma busca por uma adolescente que sumiu: será também uma busca pela verdade em suas nuances mais sombrias.

Os livros do Coben sempre foram lidos por mim com bastante euforia, desde o primeiro, que foi o Cilada. Não era um autor que eu conhecia por críticas incríveis, mas era um autor famoso dentre o segmento policial dele. Aliás, até hoje é. A quantidade de livros maravilhosos que esse homem produz é impressionante, e ainda que não possa dizer que li todos (o que um dia pretendo fazer) li alguns, e eles ficaram na minha listinha de livros de coração. E nisso eu incluo A Promessa. 

Voltamos com mais um pouco de Myron Bolitar, que acabou caindo de paraquedas em mais um caso policial. Como todos sabemos, ele não é um detetive de fato. Foi astro de basquete e acabou como agente esportivo depois de um acidente que o tirou das quadras. Mas vira e mexe ele se depara com algum caso - ou é jogado neles - que precisa de solução, e Myron é realmente bom nisso. 

No caso de A Promessa, o maior livro dele que li até agora, temos a história do desaparecimento de uma menina, a Aimee, filha adolescente de uma de suas amigas mais antigas. Seria mais um caso normal para a polícia, se não fosse Myron a última pessoa a ter visto a menina quando deu carona para ela em uma madrugada por conta de uma promessa que tinha feito. E daí ele volta novamente a dar uma de detetive, para se livrar da culpa de ter cumprido aquela promessa e separado sua amiga da filha. 

Como sempre, Coben se mostra gênio nesse livro. Conduz o leitor de maneira fascinante até onde ele deseja ir. Nos faz pensar em milhões de formas de desvendar esse caso - porque isso é normal em um leitor de policial - e nos afunda quando entrega o final, porque normalmente não é nada do que pensamos a princípio. 

A Promessa vem mostrar um Myron já com os sinais da idade. Não é mais o homem que foi alguns anos atrás. Não tem o mesmo fôlego, os mesmos sentimentos, a mesma rapidez de pensamento. Está em um relacionamento que de início não sabe bem o que quer dele, e é assombrado por fantasmas de amores antigos. Provavelmente a única coisa que jamais muda aqui é seu circulo de amizades que, vamos combinar, é tão incrível que causa inveja. 

Amo Win - o melhor amigo - com tanta intensidade como amo Myron. Eles juntos formam um tipo de dupla dinâmica que se assemelha bastante ao que normalmente vemos em filmes policiais. Ainda que Win não ande com Myron o tempo inteiro, ele está lá sempre que ele precisa - e quando não precisa também. Nesse livro fiquei conhecendo um pouco mais de quem é Win além de um nome forte ao lado de Bolitar. 

A Promessa é um livro cheio de retas de pensamento. Temos o caso principal, da Aimee, mas não é só ele. Há outro, e uma certa ligação entre as duas coisas. Myron precisa descobrir qual é, para entender se o sumiço da menina foi proposital ou não. Além de que o outro caso leva a mais um monte de situações e personagens diversos, ou seja... Nesse livro a confusão é grande. Mas, acredite, não dá para se perder. É fácil decorar os nomes e o que eles são e fazem. Dois casos ligados, meio mundo de gente envolvida, e ainda assim é fácil porque Coben é Coben e fim de papo! 

Eu amei o final desse livro! O autor entrega uma ideia, e depois a desconstrói em um miscar de olhos. A gente fecha o livro se sentindo idiota por não ter pensando naquela solução antes. É por isso que digo que cada um deve ficar em seu quadrado. Coben é foda escrevendo policial! São tantos detalhes e tão bem explicados que fico pensando em como funciona o processo de escrita dele. O quanto de pesquisa existe, e o quão difícil deve ser esquematizar isso e colocar no papel de maneira a não deixar furos. Sou super fã dele por causa dessa construção narrativa complexa e maravilhosa! Acho que a polícia deveria contratar o Coben como consultor. rsrs

Então é isso... Mais um livro dele que amei, e mais um que indico. Preciso de mais livros do Bolitar para ontem. Até tenho um parado na estante, mas preciso do que vem depois desse na ordem cronológica dos livros desse agente esportivo. 


Resenha de "Três Coroas Negras" (Kendara Blake)

Título: Três Coroas Negras
Autor: Kendara Blake
Editora: GloboAlt
Skoob: Adicionar

Sinopse: Três herdeiras da coroa, cada uma com um poder mágico especial. Mirabella é uma elemental, capaz de produzir chamas e tempestades com um estalar de dedos. Katharine é uma envenenadora, com o poder de manipular os venenos mais mortais. E Arsinoe é uma naturalista, que tem a capacidade de fazer florescer a rosa mais vermelha e também controlar o mais feroz dos leões.Mas para coroar-se rainha, não basta ter nascido na família real. Cada irmã deve lutar por esse posto, no que não é apenas um jogo de ganhar ou perder: é uma batalha de vida ou morte. Na noite em que completam dezesseis anos, a batalha começa.

Confesso que não fui com muita sede ao pote quando peguei esse livro. Tinha lido outro da autora recentemente e que não achei muito bom. Mas como sou louca por todo lançamento que a GloboAlt entrega aos leitores, peguei para ler bem despretensiosamente. E que grata surpresa foi Três Coroas Negras para mim!

O que é importante ser entendido aqui é que essa é uma sociedade matriarcal. O poder maior fica nas mãos na rainha, e o rei só existe para compor um título e gerar descendentes ao reinado. Até o poder espiritual dessa sociedade está nas mãos de uma deusa, e não de um deus, como é comum no que se pensa sobre idade média. E não estou garantindo que esse livro se passe numa idade média, porque em momento nenhum o tempo histórico fica claro. Mas são os detalhes culturais que deixam isso transparecer nessa fantasia, ainda que o espaço geográfico onde acontece a história fica a cargo de uma ilha onde coisas "mágicas" podem acontecer, e sabendo que existe um continente onde tudo parece ser o nosso normal do outro lado da neblina.

Entendido isso? Ok! Então entendam também que a rainha gera três filhas apenas. Esse é todo o legado dela antes que tenha que sair do trono e esperar para que uma de suas filhas cresçam e tomem posse da coroa. E como isso acontece? Bem simples: Duas delas tem que morrer. É quase como um Jogos Vorazes entre irmãs.

Pensando na atualidade chega a ser repulsiva a ideia de uma irmã matando a outra por causa de uma coroa, mas esse tipo de coisa era muito comum antigamente, e se pararmos para pensar que essas três irmãs são criadas separadas, justamente para gerar essa distância e possibilidade, então é que o negócio fica parecendo mais simples.

Para completar o cenário dessa história, também é importante saber que cada irmã nasce com um dom. Não é uma coisa exatamente explicada na trama, mas é um fato. Algo muito superior ao controle dos habitantes dessa ilha. Tem algo de divino nesse contínuo nascimento triplo de rainhas com poderes diferentes. Uma sempre será naturalista, com poder de comandar animais e plantas. Outra será elementar, com o poder de controlar os elementos, e outra será a envenenadora, com o poder de suportar qualquer veneno sem ao menos uma única dorzinha de barriga. Elas chamam o momento do despertar dos poderes de dádiva, e isso é algo bem importante na história. 

Nesse contexto todo temos as protagonistas, Katherine, a envenenadora; Mirabella, a elementar, e Arsinoe, a naturalista. Separadas aos seis anos, as irmãs são criadas por famílias diferentes, em lados diferentes dessa ilha. Treinadas desde a infância até o momento onde elas fariam dezesseis anos e teriam que competir pela coroa. 

Esse livro é o primeiro de uma série, e nem me perguntem de quantos. Não achei informações realmente valiosas quanto a isso. Mas é um livro introdutório realmente de apresentação. Do universo criado pela autora, das três protagonistas e de tudo o que acontece até o Beltane, que digamos ser o marco de início do ano em que apenas uma delas restará. Então não espere ver o pau quebrar nesse livro, porque isso não acontece entre as três. Na verdade, a medida que você vai lendo, percebe que talvez isso seja o que elas menos querem. 

Não tive como escolher apenas uma delas como predileta. Amo o jeito tempestuoso e impulsivo de Arsinoe, adoro o coração enorme e apaixonante de Mirabella, e também a força de vontade e de espírito de Katherine. São realmente três protagonistas incríveis, e que tem igual peso na história com a intercalação de capítulos. 

Os coadjuvantes aqui também são importantes. Pelos olhos do que acontece com eles perto das rainhas é que entendemos toda a estrutura social, hierárquica e de poder dessa sociedade. Como qualquer briga por uma coroa, temos os bonzinhos e os cruéis, e acho que a autora os criou justamente para ter a quem culpar, quando as coisas derem errado em algum lado. Afinal, as rainhas são quem tem menos culpa de qualquer coisa aqui. São vítimas de uma cultura antiga, e não estão nem um pouco satisfeitas com ela. 

Tem um momento do livro que os acontecimentos estacionam. Como disse, é um livro de introdução e tem hora que ele cansa. Mas daí a autora insere algumas cenas de curiosidade para prender o leitor até a próximo capítulo daquela protagonista, e isso faz com que você tenha que ler os capítulos das outras. Ela soube usar de argumentos para convencer a leitura, e achei isso bem legal. 

Posso dizer aqui também que AMEI o final desse livro. Não só as últimas páginas, mas os acontecimentos um pouco anteriores ao Beltane, o que acontece nele e depois dele. A história começa a ganhar forças e se desenhar de maneira deliciosa. Terminei o livro de boca aberta e perguntando pelas páginas seguinte. Como assim ela acaba daquele jeito? Preciso de mais! O final é espetacular, e posso dizer que não esperava algo daquele tipo. A autora me surpreendeu positivamente em muitos aspectos. 

Recomendo a leitura com força para quem curte fantasia. Não é uma alta fantasia, tá? Mas tem elementos até que adultos para uma fantasia Ya. Livro maravilhoso! 




Resenha de "#Fui" (Viviane Maurey)

Título: #FUI
Autor: Viviane Maurey
Editora: GloboAlt
Skoob: Adicionar

Sinopse: Lully vai viajar!E não é uma viagem qualquer: ela vai passar quatro meses em um intercâmbio nos Estados Unidos e mal pode aguentar tanta ansiedade. Vai ser a primeira vez que ela vai passar tanto tempo longe de casa, ver neve e aproveitar todas as maravilhas que o País do Cheesebúrguer pode oferecer… A única parte difícil é esconder toda essa animação de seu namorado, Eric, que está compreensivelmente enciumado e nada satisfeito com o fato de a namorada ir viver tanta coisa nova longe dele.
Logo nos primeiros dias em Lake Tahoe, Lully já descobre qual será sua rotina: MUITA neve no hotel onde vai morar, MUITA neve na estação de ski onde vai trabalhar e MUITA neve para gelar as cervejas das festas que os novos amigos não cansam de organizar. É tudo muito diferente da
vida que levava no Brasil, mas, apesar de às vezes parecer difícil se adaptar, Lully está se dando muito bem.
Mas isso é só até ela se ver obrigada a fazer uma escolha determinante para o resto de sua vida. A viagem acaba revelando o quanto suas certezas e seguranças podem ser frágeis, e que quem parte em uma grande jornada, dificilmente voltará a ser a mesma pessoa de antes…

Saca quando rola "aquela" identificação com uma personagem? Fui eu com Lully. Ela sou eu, só que mais nova e com uma aparência bem melhor (pelo menos na minha cabeça).

Lully está indo fazer intercâmbio nos EUA. Vai passar quatro meses longe da mãe, dos amigos e do namorado. Mas a empolgação para fazer essa viagem é tão grande, que de início isso nem pesa na cabeça dela, nem na nossa, leitores animados com a ansiedade dela. 

Junto com Lully vão outros intercambistas. Os meses serão passados num lugarzinho chamado Lake Tahoe, com tanta neve que ela é a própria chamada para os turistas da cidade nessa época. Os que vão em busca das montanhas para esquiar. Nessa montanha tem os estabelecimentos onde os intercambistas irão trabalhar, e o de Lully é um tipo de lanchonete.  

Acontece que essa viagem, que começa um sonho despreocupado, acaba virando uma loucura. Não por acontecimentos externos - e tem muitos desses também - mas o foco está no que muda dentro da protagonista. Ela sabe que não há chance de voltar da mesma forma que foi, e isso assusta pra caramba. 

Gente, é um livro simples. De ideia simples, de estrutura simples. Ainda que a história se passe com jovens no começo da fase adulta, e até alguns adultos, eu o enquadraria como um YA, porque os acontecimentos são leves e que qualquer adolescente que pensa em intercâmbio pode ler despreocupado. Acho até que ele é um instrumentos muito interessante para quem pensa em fazer uma viagem como essa. A autora sabe explorar muito bem essa ideia de viver por um tempo fora do país. Desde coisas simples, como vistos de viagem e morar em hotéis com varias pessoas no mesmo quarto, até os dramas, como a saudade da família e adoecer longe de casa. 

Também preciso ressaltar que um dos pontos positivos que mais amei aqui foi a protagonista. Sério, ela super entra no meu ranking de melhores do ano. Não sei se porque parece muito comigo quando mais nova, e isso completa o meu vazio atual, ou de fato por ser tão pra cima. Uma vivacidade que não é comum, e que se visse em alguém hoje em dia chamaria de drogado ou doido (rsrs). Lully é viva, sem mais. Um coração enorme, e um conhecimento de coisas nerds o suficiente para me fazer rir a toa. 

Existem várias referências a cultura geek. Desde citações de Star Wars a detalhes de Fringe. Não tinha um seriado ou filme que fosse citado que eu não conhecesse e amasse. Por experiência própria digo que esse tipo de informação pede um glossário. Escrevi um livro uma vez que era assim, e sempre lia comentários como... "Não sei que série é essa" ou "Não faz o meu estilo". A mim não incomodou nem um pouco, conhecia tudo, mas aposto que algumas pessoas vão falar disso. 

Sabe como me senti quando acabei essa leitura? Leve. Estupidamente leve, como há muito não me sentia. Um livro divertidíssimo, porque a protagonista é muito divertida, e com a pitada de drama normal nesse estilo de narrativa. Aquele romance que te faz repensar os seus de juventude, e tudo o que não fomos capazes de fazer por falta de foco, ou oportunidades, de fato. 

Eu sentia frio lendo esse livro. De verdade. A neve era até palpável. Eu nem sei quanto tempo sonhei em conhecer a neve, e fazer um anjo na neve, e deixar os pingos da neve caírem em minha língua... Tudo isso eu vivi um pouco através de Lully. Ficava olhando meus filhos dormirem na cama ao lado, porque é a única hora que consigo ler, e pensando que isso é algo que provavelmente jamais verei ao vivo. Talvez através deles, e sempre através dos livros. Me apego a isso com fervor.  

Delicinha de livro para passar o tempo! Não conhecia nada da autora, mas já estou ansiosa por mais coisas dela. Tem aquela escrita que te faz flutuar de tão despretensiosa. Adoro! Sem contar que o título diz muito sobre muitas coisas. 

Fui morar nos EUA...
Fui me conhecer de verdade...
Fui descobrir o mundo numa montanha de neve...
Fui me reinventar!

Quantos "Fuis" vivemos diariamente? Talvez menos do que gostaríamos, mas o suficiente para continuarmos. É isso ai, e vamos simbora! 


Resenha de "Irmãos de Sangue" (Nora Roberts)

Título: Irmãos de Sangue
Autor: Nora Roberts
Editora: Arqueiro
Skoob: Adicionar

Sinopse: A misteriosa Pedra Pagã sempre foi um local proibido na floresta Hawkins. Por isso mesmo, é o lugar ideal para três garotos de 10 anos acamparem escondidos e firmarem um pacto de irmandade. O que Caleb, Fox e Gage não imaginavam é que ganhariam poderes sobrenaturais e libertariam uma força demoníaca.Desde então, a cada sete anos, a partir do sétimo dia do sétimo mês, acontecimentos estranhos ocorrem em Hawkins Hollow. No período de uma semana, famílias são destruídas e amigos se voltam uns contra os outros em meio a um inferno na Terra.
Vinte e um anos depois do pacto, a repórter Quinn Black chega à cidade para pesquisar sobre o estranho fenômeno e, com sua aguçada sensibilidade, logo sente o mal que vive ali. À medida que o tempo passa,
Caleb e ela veem seus destinos se unirem por um desejo incontrolável enquanto percebem a agitação das trevas crescer com o potencial de destruir a cidade.
Em Irmãos de Sangue, Nora Roberts mostra uma nova faceta como escritora, dando início a uma trilogia arrebatadora em que o amor é a força necessária para vencer os sombrios obstáculos de um lugar dominado pelo mal.


Que delícia quando encontro um livro de Nora que me faz lembrar da minha infância! Que tem aquele gostinho de quero mais. Não lembro de alguma outra vez que li algum livro dela que me fizesse esperar ansiosa pela continuação, e esse eu estou. Muito!

O livro começa em outro século. Naquela época em que se você soubesse que planta usar para curar alguém seria chamado de bruxo e queimado em uma fogueira. E nesse começo conhecemos um homem que está prestes a ser condenado de bruxaria se preparando para isso, depois de ter despachado a mulher grávida para longe tentando protegê-la. 

Desse momento pulamos para quando nossos protagonistas são crianças, vão passar o aniversario de dez anos na floresta e algo sobrenatural acontece com eles por lá, marcando os três no físico e no psicológico por todos os anos seguintes. 

Ficamos sabendo que de sete em sete anos, depois desse incidente, nessa cidade onde eles moram algo acontece que deixa as pessoas malucas. Cometendo atos anormais e cruéis por razão alguma. E a cidade acaba sendo conhecida por isso a tal ponto que chama a atenção de uma jornalista do sobrenatural, Quinn, que decide escrever sobre isso, e vai passar um tempo por lá, recebendo ajuda de Caleb, um dos meninos que estavam na floresta naquela noite. 

Tá, não vou mentir, é um romance. Poxa vida, é Nora, gente! Mas eu juro que isso é o que menos importa nessa história. Na verdade eu li com impaciência os momentos de amor de Caleb e Quinn , porque eu queria o lance de sobrenatural, que é, de longe, a melhor coisa dessa história. 

Devo dizer que a autora soube escrever muito bem desde o início. Os personagens são bem caracterizados desde a fase de criança, e o que eles são acabam levando para a fase adulta com maestria. São aquilo e pronto. Ótimos em suas particularidades interessantes. 

O que a autora criou também é muito digno. O demônio e a ligação que essas seis pessoas (sim, existem mais duas que aparecem depois) tem ficou um trem muito bem trabalhado. Pessoalmente não encontrei falhas, e sou chata para isso. De algum modo a estrutura me lembrava bastante as de O Pacto e de It,o que quer dizer muito da história, e do quanto gostei dela. 

Adoro Quinn! Tem um temperamento semelhante ao meu. É elétrica, viva e de uma sagacidade impar. Já Caleb não me arrebatou, mas entendo como funciona o grupo deles, e que Caleb é essencial para equilibrar a insanidade dos demais. Faz o tipo nerd que todo mundo quer ter em casa. 

É uma trilogia, e se assemelha com gosto a uma outra trilogia da autora. Aquela das bruxas, saca? Tanto na estrutura dos relacionamentos, como nessa jornada do herói de lutar contra um mal. Caramba, até a cena final se parece muito, inclusive a ambientação. 

Enfim, estou louca pelo segundo e já estou caçando outros livros do gênero por ai. Percebi que estava com saudade desse gênero, e é um dos meus prediletos. 

Fica a dica!