Resenha de "Arsen" (Mia Asher)

Título: Arsen
Autor: Mia Asher
Editora: Li em inglês
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Sinopse: Um olhar foi o suficiente ... Eu sou uma trapaceira.
Eu sou uma mentirosa. Toda a minha vida é uma bagunça.
Eu amo um homem. Não, eu amo dois homens ... Eu acho.
Um faz amor comigo. O outro me põe no fogo.
Um deles é a minha rocha. A outro é a minha criptonita.
Estou quebrada, perdida, e enojada de mim.
Mas eu não posso parar. Esta é a minha história.
Minha história de amor quebrado.



Me impressionou, pode ter certeza! Comecei o livro sem pretensão alguma e terminei completamente apaixonada por tudo. Ele é... Sofrido, intenso, angustiante! Ele é perfeito! 

Cathy ama Ben (lindo) possivelmente uma vida inteira. Se conheceram ainda jovens e se casaram cedo. Anos depois eles ainda mantem aquela chama de começo de relacionamento. Só que existe um problema que começa a afetá-los, principalmente a Cathy. Ela já sofreu três abortos consecutivos e se sente péssima como mulher, incapaz de gerar uma vida, o que deveria ser normal de toda criatura do sexo feminino. Isso acaba refletindo em sua vida profissional e pessoal. O distanciamento passa a ser inevitável por parte dela, mesmo que Ben insista que ainda irão conseguir e que tudo está bem. 

Daí Arsen aparece, e tudo vai para o ralo. Ele é aquele tipo de cara que tira qualquer mulher do sério. Ele é fogo, e isso desnorteia Cathy e seu casamento, que ela mantem de aparências, até para o próprio marido. Está confusa, se sentindo sozinha e com um buraco que nem Ben é capaz de preencher. Somente Arsen parece ter as ferramentas certas, e realmente não enxergo isso como algo negativo, gente. 

Casamento não é fácil e as vezes enfada. Nem todo mundo tem maturidade para enfrentar um, e resistir depois dos problemas. O de Cathy funciona em muitos sentidos, mas bastou um para a mulher desmoronar. Ela pode ter errado em alguns momentos? Ok, sim, mas ela é humana, sujeita a falhas e perdão. Sempre vou bater nessa tecla de perdão. Acho que daqui não levamos nada além da nossa capacidade de perdoar e ser perdoado. O crescimento que temos como pessoas. Eu não digo se fosse um caso de assassinato, mas traição? Por favor, eu já perdi um filho e sei que existem dores bem maiores do que ser trocado.  

Sim, isso é um triângulo amoroso, com direito a traição em grande escala. Eu, que jamais fui puritana, me peguei envergonhada com algumas cenas. A parte sexual dele é extremamente bem trabalhada e lida com os sentimentos de culpa e desejo de maneira perfeita. 

Cathy tem dois puta homens ao seu lado. Ben é calmo e a conheceu uma vida inteira, Arsen parece ser o único que a conhece agora, quando ela está tão quebrada. Ele é cínico e safado, nada dado a emoções, mas eles se entendem porque ele sempre sabe o que dizer e como dizer para fazê-la esquecer por algum tempo os abortos. 

Aqui não tem essa coisa de manter tudo em segredo até o final do livro. Ben não é burro, e quando começa a perceber a mudança da mulher, e conhece Arsen, ele sabe que tem algo de errado. Que a tensão no ar não pode ser imaginação da cabeça dele. Até as cenas em que ambos estão no mesmo ambiente é sufocante. Ben e Arsen soltam farpas o tempo inteiro. São territorialistas ao extremo. 

Pessoalmente? O tipo de triângulo que eu não conseguia resolver no meu coração. Minha mente analítica torcia por um, meu útero, pelo outro. Amei ambos, exatamente como Cathy. Lendo esse livro percebi que é possível torcer para os dois lados de um triângulo nesse estilo. 

Talvez eu tenha tido vontade de matar a autora lá pro final dele. Claro que em algum momento a protagonista se resolve e vai pender para um. Só que invés da autora manter o outro no hiato, a última cena é dele. Sofrida, sincera e faz meu coração despedaçar. Aliás, esse livro inteiro é um chute em minha alma. Ele é lindo, tocante e pra lá de sensual! 

Torcendo para que as editoras tragam Arsen para cá. Precisa! Já! Para ontem!

Resenha de "Quarenta Dias"(Maria Valéria Rezende)

Título: Quarenta Dias
Autor: Maria Valéria Rezende
Editora: Alfaguara
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Sinopse: “Quarenta dias no deserto, quarenta anos.” É o que diz (ou escreve) Alice, a narradora de Quarenta dias, romance magistral de Maria Valéria Rezende, ao anotar num caderno escolar pautado, com a imagem da boneca Barbie na capa, seu mergulho gradual em dias de desespero, perdida numa periferia empobrecida que ela não conhece, à procura de um rapaz que ela não sabe ao certo se existe.Alice é uma professora aposentada, que mantinha uma vida pacata em João Pessoa até ser obrigada pela filha a deixar tudo para trás e se mudar a Porto Alegre. Mas uma reviravolta familiar a deixa abandonada à própria sorte, numa cidade que lhe é estranha, e impossibilitada de voltar ao antigo lar. Ao saber que Cícero Araújo, filho de uma conhecida da Paraíba, desapareceu em algum lugar dali, ela se lança numa busca frenética, que a levará às raias da insanidade.
“Eu não contava mais horas nem dias”, escreve Alice em Quarenta dias, um relato emocional e profundo. “Guiavam-me o amanhecer e o entardecer, a chuva, o frio, o sol, a fome que se resolvia com qualquer coisa, não mais de dez reais por dia (...) Onde andaria o filho de Socorro?, a que bando estranho se havia juntado, em que praça ficara esquecido?”

Demorei a resenhar porque de fato esse é um daqueles livros difíceis de se falar. Saca quando você lê algo tão profundo que fica sem saber o que dizer e como dizer? Foi minha relação com esse livro. 

Quarenta Dias vai contar a história de Alice, contada por ela para as páginas de um caderno da Barbie que ela salva de ir parar no lixo e vira seu confidente depois que sua filha tira ela do conforto da aposentadoria em João Pessoa para morar em Porto Alegre. A filha quer engravidar e deseja a mãe por perto para que não precise deixar o filho com babás e creches. 

Algo acontece para desnortear mais ainda a mulher que já estava confusa e triste, e então Alice começa uma jornada de auto descobrimento muito difícil e dura. Pessoalmente eu não teria aguentado metade do que ela aguentou, porque é importante dizer que cada passo dessa jornada foi por opção dela. 

Olha, foi um livro que me colocou para pensar na minha própria mãe, e de uma forma incômoda. Quando estou no trabalho, minha mãe fica com meus filhos. Foi depois de ler esse livro que parei para pensar se ela fica porque quer, ou porque não tem opção. Nunca a coloquei na parede, saca? Jamais fiz chantagem ou algo assim. Simplesmente estava implícito quando acabou minha licença maternidade que ela ficaria com ambos. Talvez ela não quisesse isso. Quisesse passar suas manhãs tomando sol na praia, assistindo Prision Break na Netflix. E agora corre atrás de menino, grita para menino tomar banho...

Os quarenta dias de Alice foi o grito de liberdade de que ela precisava, ainda que dolorido demais para mim. Por vezes me vi gritando com a personagem para que parasse com aquilo e voltasse para casa. Mas, para que? Uma casa vazia, um caderno da Barbie e uma diarista? Saca, penso que a gente valoriza algumas coisas que no final das contas não tem lógica alguma. São desnecessárias. E nem sempre o que é importante para mim, vai ser para você. 

O que a filha de Alice faz com ela nesse livro me deixou puta de raiva dela. E como essa filha, existem muitas por ai, o que é muito triste. A pessoa rala a vida toda para que no final dela encoste a cabeça no travesseiro e faça o que tem vontade, mas o negócio da família é foda! Aquela coisa... se você não tem filhos, vai ter uma velhice sossegada, mas solitária. E se você os tem, vai ter uma velhice cheia de gente, mas que podem querer mandar em sua vida. Sacaram o quanto isso tudo é tenso? Ai ai!

O livro é de uma narrativa belíssima! A protagonista é uma maravilha de mulher, super cativante. O relacionamento que ela tem com esse caderno também é muito bom. Realmente conversa com ele, como se pudesse responder. 

Se teve algo nessa história que me fez tirar estrela dela, foi o final em aberto. Entendo que a proposta dele não era nos dar uma resolução das várias problemáticas que apresenta, mas sim falar da jornada que cada ser humano enfrenta em busca dessas resoluções e que nem sempre chega a uma. Mas isso me incomodou nesse livro. Queria mais. 

Mas não posso deixar de indicar. Belíssimo trabalho da autora! 

Resenha de "Deixe-me entrar" (Letícia Godoy)

Título: Deixe-me entrar
Autor: Letícia Godoy
Editora: Arwen
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Sinopse: Julianne Ipswich cresceu confinada no internato Le Rosey, afastada de sua família com o pretexto de receber uma educação de qualidade. Este fato sempre a incomodou e o maior desejo de Julianne era descobrir a verdade para que a família tenha a afastado, uma vez que não ficou convencida de que a preocupação com os seus estudos seria o único motivo. Ao completar 15 anos, ela retorna para Stone Forest, a cidade de seus pais, e, aos poucos, acaba descobrindo mais do que gostaria de saber.
Cercada por muito mais perigos e desafios do que ela jamais pôde imaginar que surgiriam em sua vida, Julianne precisará desvendar os mistérios de seu passado e preparar-se para os desafios do futuro rapidamente se quiser sobreviver. As vozes se misturam, os olhos sedentos nunca param de espreitar e o perigo está onde ela menos imagina. Será que Julianne conseguirá enfrentar tudo isso?


Talvez se eu tivesse lido esse livro há uns quinze anos, teria me apaixonado loucamente por ele. Tem o tipo de premissa que adoro, e personagens encantadores. Mas ele não foi para mim de um todo. Precisava ficar voltando páginas para reler coisas porque minha mente vagava para longe numa rapidez impressionante. Ele não me fisgava de jeito nenhum!

Logo no início temos uma "caça as bruxas", em um outro século. Algumas mulheres estão para ser queimadas, acusadas de bruxaria. Entre elas está a amada de Gerard, o vampiro que nos mostra, por sua visão, esse primeiro momento. O inevitável acontece, eles acabam se separando, mas com a promessa da bruxa de que ainda irão se reencontrar em outra vida. 

Então, anos depois, conhecemos Julianne, uma adolescente que viveu uma vida inteira em um colégio interno, e que agora está super ansiosa em voltar para casa e ficar com a - grande - família. Os problemas dela começam a acontecer exatamente quando retorna ao lar. Tudo parece muito diferente. Seus irmãos não envelheceram um único dia, todos estão evasivos e estranhos. 

O fato é que não me apeguei a ninguém nessa história. Nem a protagonista, E o mocinho passou por mim que nem senti que ele estava ali. Fiquei tantas páginas esperando sua aparição e ela aconteceu em mais da metade do livro, onde essa primeira metade não acontecia quase nada que justificasse a demora das coisas acontecerem, de fato. Como disse, foi um começo que me deu um puta sono. 

Eu ficava lendo e tentando entender o que diabos se passava na cabeça da guria. Hora amo chico, hora amo francisco, hora amo ninguém. Minha família é diferente? Tudo bem, eu aceito de boa! Existem seres do submundo andando por ai? Ok, normal! Sério? Tipo... sério mesmo????? 

Ela só tinha quinze anos e agiu numa naturalidade que nem eu com meus trinta agiria no lugar dela. Isso me incomodou pra cacete! Sem contar que eu não entendi o que a autora quis com o começo da história. Ambientar bem o leitor? Se foi isso, então eu não captei a parada. Poderia ter entendido tudo em metade das páginas que ela usou. 

A segunda parte do livro flui melhor, ainda que eu tenha tido momentos de não acreditar no que estava lendo. E não é porque é uma fantasia, gente. Eu leio fantasia com frequência, e até elas tem que me convencer de que aquilo é possível. Não era a trama que me incomodava, mas a reação dos personagens ao que acontecia - ou não reação. Tudo era comum, tudo era ok. Faltou aprofundar um pouco mais essa galera. Convencer o leitor dos motivos deles acharem tudo aqui normal. 

Eu entendo que a Letícia quis mostrar um pouco da vida adolescente de Julianne acima de qualquer coisa fora do normal. O problema é que a história vende muito o "anormal", e quando vem entregar alguma coisa a gente já tá um tanto saturado do livro e dos problemas adolescentes. Pelo menos comigo foi assim. 

Acredito que essa história funcione com adolescentes. Eles certamente vão captar melhor Julianne e seus amores e desabores. Eu achei tudo infantil, e sei que isso foi um problema de ligação minha com os personagens. Já disse aqui várias vezes que se o personagem não me fisga, dificilmente a história vai me fisgar. 

Devo elogiar o trabalho da editora com o livro. Capa linda, diagramação impecável. 

Esse é o primeiro livro de uma série, não sei de quantos. Lá no Skoob tem várias outras resenhas muito mais positivas do que a minha. Queria ter escrito algo realmente bom, mas não consegui. Esperei alguns dias depois de ler para analisar melhor os fatos, e cheguei a conclusão de que talvez eu esteja velha demais para esse tipo de história, ou que não era o momento para pegá-la. 


Resenha de "A Educação de Caroline" (Jane Harvey-Berrick)

Título: A Educação de Caroline
Autor: Jane Harvey-Berrick
Editora: Novo Século
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Sinopse: Dez anos depois de seu primeiro romance, rompido de modo tão dramático, Sebastian e Caroline se encontram novamente, desta vez, em circunstâncias completamente diferentes, tendo como pano de fundo a guerra no Afeganistão.Agora uma jornalista de sucesso e correspondente de guerra, Caroline encontra o oficial da Marinha Sebastian Hunter. Ele a havia esquecido ou ainda esperava por ela? Podem antigas paixões ser revividas?




Quando eu acabei o primeiro livro dessa duologia eu sabia que tinha uma enorme chance da autora fazer uma coisa sensacional, ou fazer uma merda. Não acho que ela tenha muito em nenhum dos dois lados. Tem coisas aqui as quais curto, e outras que pessoalmente detestei. 

No volume anterior ficamos conhecendo Caroline, que acabou se apaixonando pelo filho adolescente de um amigo de seu marido militar. E a partir dai vamos vendo esse relacionamento se desenrolar. Postei a resenha desse livro semana passada, então ela deve ainda estar fresca na cabeça de vocês. Não darei spoiler, mas falarei um pouco sobre as coisas que me desagradaram e as que gostei. 

Esse livro se passa dez anos depois do primeiro. E o amadurecimento é visível na protagonista, Caroline. Ela passou por muita coisa para conseguir se manter como jornalista sozinha, e agora já se sai muito bem nisso. Tanto que é mandada como jornalista de guerra numa dessas guerras infinitas que existem no mundo afora (pessoalmente não me recordo muito bem em qual país era). 

Antes de chegar ao campo ela precisa passar por um treinamento com um oficial especializado em línguas. E é lá que ela rever, depois de tantos anos, Sebastian. Agora um oficial importante da marinha, e professor de línguas. 

Claro que isso vai ser um choque para ambos, depois da separação traumática e os tantos anos de desencontros. E a história vai se desenrolar a partir disso. Neles se reencontrando e aprendendo a reconhecer quem eles são depois de tanto tempo. 

Minha primeira problemática com esse livro veio na forma que encontrei Sebastian. Se Carol cresceu absurdamente nesses anos, ele pareceu ter parado no tempo, e até regredido. A única coisa moderna no cara foram as atuações sexuais, porque em termos de personalidade continuava tão - ou mais - idiota do que era quando tinha dezessete anos. Ele não me cativou. 

A abordagem da guerra poderia ter ganhado um campo maior dentro do enredo. Perde-se muito tempo no começo do livro numa viagem sem pé nem cabeça, mesmo que bela. Foi para ganhar páginas? Foi para desenvolver o relacionamento esquecido deles? Se foi o caso, não funcionou. As trincheiras teriam sido bem mais eficientes. 

E então eu vi Carol se apagar com a babaquice de Sebastian. Que um pertencia ao outro não era de se estranhar, então porque diabos ele dava uma de coitado? Saca, não faz a cara de Sebastian nem quando ele era adolescente, avalie agora, anos em guerras que não eram pessoalmente dele e que ensinavam a qualquer pessoa existiam problemas bem maiores do que o atraso na fila de espera e um coração partido. 

É um livro com cenas singelas e tocantes, e isso devo a guerra. Ela mexe de uma forma desagradável com quem a viveu de perto, e de forma inquietante com quem não foi. E ainda que foco da história não tenha sido ela, é impossível não sentir aquele frio com as cenas sobre a maldita, quando narradas. 

Tem bons momentos, e tem os péssimos. Confesso que a personalidade de Sebastian foi o que me  fez tirar tantas estrelas desse livro. Esperava mais dele, e esperava um pouco mais do final. É como se o livro seguisse o rumo natural, subindo uma rampa, e na hora de despencar para a maresia tivesse esquecido como fazer isso. Uma pena. 


Fotos da Semana no Instagram


Olá, pessoal!
Passando só para mostrar um tiquinho de algumas fotos que postei semana passada no feed do Insta. Quem quiser seguir e acompanhar, vai lá rapidinho!


Como me tornei escritora


Olá, meu povo!
Lancei um vídeo no canal onde conto um pouco da minha experiência como escritora. Como começou e como lido com ela hoje em dia. Também falo um tiquinho de como foi o processo de escrita de AMBM e de Improváveis.
Espero que gostem.


Resenha de "Meio Rei" (Joe Abercrombie)

Título: Meio Rei
Autor: Joe Abercrombie
Editora: Arqueiro (Cedido em Parceria)
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Sinopse: “Uma construção de mundo grandiosa, personagens maravilhosos e cenas de ação extraordinárias... Meio rei é o meu livro favorito de Abercrombie, e isso quer dizer muita coisa.” – Patrick Rothfuss, autor de O nome do vento“Assim como em todas as obras de Abercrombie, aqui a linha entre o bem e o mal é tênue e nada ocorre segundo as expectativas. Meio rei é definitivamente uma aventura com A maiúsculo.” – Rick Riordan, autor da série Percy Jackson e os Olimpianos
Ganhador do prêmio Locus, Meio rei foi considerado, em 2014, uma das 5 melhores obras de fantasia pelo The Washington Post e um dos 10 melhores livros para jovens pela Time.
Jurei vingar a morte do meu pai. Posso até ser meio homem, mas sou capaz de fazer um juramento por inteiro.
Filho caçula do rei Uthrik, Yarvi nasceu com a mão deformada e sempre foi considerado fraco pela família. Num mundo em que as leis são ditadas por pessoas de braço forte e coração frio, ser incapaz de brandir uma espada ou portar um escudo é o pior defeito de um homem.
Mas o que falta a Yarvi em força física lhe sobra em inteligência. Por isso ele estuda para ser ministro e, pelo resto da vida, curar e aconselhar. Ou pelo menos era o que ele pensava.
Certa noite, o jovem recebe a notícia de que o pai e o irmão mais velho foram assassinados e não lhe resta escolha a não ser assumir o trono. De uma hora para outra, ele precisa endurecer para vingar as duas mortes. E logo sua jornada o lança numa saga de crueldade e amargura, traição e cinismo, em que as decisões de Yarvi determinarão o destino do reino e de todo o povo.
Joe Abercrombie nos apresenta um protagonista surpreendente, numa história de percalços e amadurecimento que abre a trilogia Mar Despedaçado.

Impressionada. Acho que é essa a palavra mais adequada para explicar como me sinto depois de ler esse primeiro livro da série Mar Despedaçado. Juro que comecei sem esperar muito dele, e a medida que as páginas iam passando eu entendi a grandiosidade do que o autor estava criando aqui. E amei. 

Yarvi é um príncipe. Nasceu com uma deficiência em uma das mãos e sempre foi deixado de lado na família por causa disso. Até que o pai e o irmão mais velho morrem em um ataque inimigo, e Yarvi passa de meio príncipe para meio rei. (o meio como referência a ser fisicamente incompleto)

Imagina que você nunca cogitou a possibilidade de se tornar rei, e do dia para a noite cai em cima de um trono que nunca quis. O coitado está perdido e sem saber como lidar com a pressão em cima dele. Acaba virando marionete da mãe e do tio. O tipo de joguete político tão comum nesse tipo de história quando alguém que não deveria assumir um trono acaba assumindo. 

E quando Yarvi é traído e dado como morto, é que a trajetória de sofrimento do garoto começa. A típica jornada do herói. O impressionante para mim foi ver como ela acontece de forma tão incrível em poucas páginas. Tudo nessa fantasia de Abercrombie me agradou. Desde o protagonista e o lugar no qual ele se enxerga no mundo, e como isso muda com os acontecimentos da vida dele, até os relacionamentos com os coadjuvantes, que crescem de maneira certa, criando laços de lealdade que jamais ele teria sendo um rei. 

O autor vai trabalhar muito com essa coisa do dever. Do dever que se tem de amar um rei só porque ele é rei, sem mais. Quando Yarvi perde o trono é que vai entender exatamente como funciona a conquista por pessoas. Como é necessário que haja uma troca para que exista sentimento fraterno entre elas. 

Também adoro a forma com Yarvi trata sua deficiência, e o quanto isso também muda. Sempre essa referência a um Meio Rei, meio homem, meio tudo, e na verdade ele é completo de todas as coisas que o faz incrível. 

O livro é fantástico! Tem frases de efeito maravilhosas e anotei umas três ou trinta delas. Estou realmente apaixonada por tudo o que o autor me entregou nesse livro, e o tanto de mim que deixei em cada marcação de quotes nele. 

Uma fantasia leve e incrível que só precisou de pouco mais de duzentas páginas para acontecer. Muito xodó por ela, e já vou correr para ler a continuação. 

Resenha de "A Educação de Sebastian" (Jane Harvey-Berrick)

Título: A Educação de Sebastian
Autor: Jane Harvey-Berrick
Editora: Novo Século
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Sinopse: Presa num casamento frio e sem paixão, Caroline Wilson, de 30 anos, muda-se para San Diego depois que seu marido militar é promovido. Sentindo-se perdida e sozinha, Caroline reencontra uma antiga amizade: Sebastian, que ela conhecera ainda menino, um jovem inteligente e sensível, com pais alcoólatras e violentos.Sebastian, agora com 17 anos, tem mais do que apenas amizade em sua mente. Juntos, experimentam o despertar de uma paixão intensa e arrebatadora. Mas esse romance proibido pode ameaçar a vida de ambos.


Li esse livro como um laboratório para um projeto de escrita. Não faz meu estilo, e vocês bem sabem disso. Ainda assim foi uma leitura que fiz em um ritmo impressionante. Li os dois volumes em menos de dois dias, e olhe que não achei essa coisa toda. 

Ok, me permito dizer que adorei a premissa da história. Mulher casada com militar que se apaixona por um adolescente. A maioria dos autores tem problemas sérios em trabalhar a sexualidade de jovens nos livros, e ainda mais quando o envolvimento é com uma pessoa mais velha. E até entendo o motivo, vejo muitos moralistas por ai falando o quanto isso é errado e tals. Pessoalmente não sou dessas. E não por causa da coisa de "amor não escolhe". Sou mais animalesca e digo que desejo acontece em qualquer lugar e em qualquer pessoa. 

Ainda que possua uma ideia interessante, talvez a autora tenha errado em algumas coisas. Tá que adolescente acha que se apaixona pelo menos duas vezes na semana, mas a forma como ela trabalha isso em Sebastian chega a ser risível. Eu não acreditava nos sentimentos dele de início. Mas tudo bem, porque me convenci depois de alguns capítulos. 

O desejo de Caroline é totalmente compreensível. Se eu tivesse um marido como o dela provavelmente seria igual. Um cara lindo, novinho, com cheiro de praia e barriga de surfista chega cantando ópera em seu ouvido... Claro que a mulher cedeu! Um pouco rápido? Pode ser, mas não liguei muito para isso. Não gosto muito do comportamento de Caroline nesse livro - acho muito alheio em alguns momentos. Mas a coisa é tão redondinha dentro da trama morna que até que foi dentro do esperado

O relacionamento deles é o que se espera nessa situação. Ciúmes bestas por parte de Sebastian, disfarces ridículos por parte de Caroline. A inexperiência dele falando alto frente a frustração sexual de anos dela. Tudo bem casadinho. 

O final foi que me incomodou um pouco. A reação do marido a tudo aquilo, a reação dela própria e das pessoas que conviviam com eles. Claro que a autora escolheu um caminho fácil por tocar num assunto tão imoral na vista de muitos. Revirei os olhos para isso porque eu sou realmente chata quando um autor cria um final para agradar o leitor geral. 

Não foi um livro ruim. Poderia ser melhor, fato, mas não foi ruim. Esperem a resenha da continuação e ai vocês vão me ver soltar as cachorras de raiva do que a autora fez. 

Resenha " Um Estudo em Vermelho e O Sinal dos Quatro" (Arthur Conan Doyle)

Título: Um Estudo em Vermelho e O Sinal dos Quatro
Autor: Arthur Conan Doyle
Editora: A minha versão é da Harper Collins
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#Projeto

Sinopse: Publicado originalmente em 1887, Um estudo em vermelho chegou a ser considerado uma espécie de "livro do Gênesis" para os casos de Sherlock Holmes, pois marca não só a primeira aparição pública do detetive mais popular da literatura universal como o primeiro encontro entre Holmes e Watson. Ao buscar conhecer melhor seu novo amigo, em pouco tempo Watson vê-se envolvido numa história sinistra de vingança e assassinato...



Tag: Com certeza deveria!


Olá, pessoal!
Estou com essa tag gravada há um bom tempo e só agora resolvi editar e trazer para vocês. Espero que gostem. Pessoalmente achei uma delícia responder!