Mapa Mental para Escritores


Bom dia, pessoal!
Hoje trago para vocês um vídeo que gravei falando como funciona a primeira parte do meu processo como escritora depois que tenho a ideia de um livro, que é o temível mapa mental.

Mapa mental, ou mapa da mente é o nome dado para um tipo de diagrama, sistematizado pelo psicólogo inglês Tony Buzan, voltado para a gestão de informações, de conhecimento e de capital intelectual; para a compreensão e solução de problemas; na memorização e aprendizado; na criação de manuais, livros e palestras; como ferramenta de brainstorming (tempestade de ideias); e no auxílio da gestão estratégica de uma empresa ou negócio.Os mapas mentais procuram representar, com o máximo de detalhes possíveis, o relacionamento conceitual existente entre informações que normalmente estão fragmentadas, difusas e pulverizadas no ambiente operacional ou corporativo. Trata-se de uma ferramenta para ilustrar ideias e conceitos, dar-lhes forma e contexto, traçar os relacionamentos de causa, efeito, simetria e/ou similaridade que existem entre elas e torná-las mais palpáveis e mensuráveis, sobre os quais se possa planejar ações e estratégias para alcançar objetivos específicos.

Usado inicialmente em empresas e nos estudos, o mapa mental auxilia ao leitor a sintetizar as ideias de forma melhor absorvida pelo cérebro, que torna visual o conteúdo que até então era decoreba, fazendo com que sua absorção fique mais fácil e didática. 
O mapa mental é uma técnica muito útil não só para estudar, mas para resenhar livros - uso bastante com livros mais complexos - e para escritores que querem montar uma espinha de suas histórias. Isso foi interessante para mim, então resolvi mostrar a vocês como começo. 
Lembrando que o mapa mental é minha primeira ação depois que tenho uma ideia sobre um livro. 


Para pirar o cabeção! Série "Dark"



Sinopse: A história acompanha quatro diferentes famílias que vivem em uma pequena cidade alemã. Suas vidas pacatas são completamente atormentadas quando duas crianças desaparecem misteriosamente e os segredos obscuros das suas famílias começam a ser desvendados.
Sabe aquele tipo de filme que você assiste e quando termina se sente burro por não ter entendido o que ele queria passar? Foi justamente o meu caso com Dark. 

Já passei por situações semelhantes com Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, Amnésia e um ou outro filme de Lars Von Trier. Filmes que precisei de mais de três ou quatros assistidas, além de discussões em fóruns, para entender o que o diretor queria que eu entendesse. Porque ainda tem isso... O que você interpreta de uma história não é exatamente o que deveria. A arte é sempre subjetiva, mas eu gosto de entender a visão de quem entrega uma proposta ousada, como foi o caso de Dark.



A história de Dark se concentra em alguns desaparecimentos em uma cidade alemã. Aliás, é uma série alemã, então se preparem para nomes esquisitos de lugares e de pessoas. Principalmente de pessoas, e essa foi uma das problemáticas que tive em específico com essa série. Tenho problemas com o que sai do meu cotidiano, e certamente que pessoas com consoantes demais no nome é complicado para mim. E devo alertar que a quantidade de personagens também pode confundir, ainda que eles não se percam na trama. São muitos, e em diferentes momentos "históricos", então sim, anotar esses nomes seria uma boa dica para uma segunda assistida.


Apesar das inúmeras comparações com Stranger Things, inclusive por parte da própria Netflix quando anunciou a série, falando que quem gostava de Stranger iria gostar de Dark e colocando fotos promocionais de grupos de adolescentes como chamariz, Dark segue caminhos diferentes dessa proposta. 
A coisa aqui é bem mais sombria do que em Stranger. Enquanto Stranger foca na nostalgia e amizade entre garotos, em Dark temos, a priori, o individualismo externalizando em ações aterrorizantes. Ainda que o sobrenatural seja um forte "horror" na série, são as ações das pessoas que realmente contam o terror dessa história.


O ritmo inicial é lento. Fato. Inevitável que seja. Você precisa entrar na história como o roteirista pensou nela. Conhecendo as famílias e entendendo como funciona a logística social dessas pessoas envolvidas. Como disse lá em cima, são muitas pessoas e diversas ligações necessárias de serem compreendidas com calma. Então tenham um pouco de paciência. É confuso, mas plausível.

Passou da primeira metade, você vai devorar o restante por pura curiosidade, e até por um pouco de asco com alguns personagens que lá no início você até gostava e que demora a acreditar que eles possam vir a fazer alguma coisa ruim. Acredite quando digo que não dá para sentir 100% nada aqui sem ter certeza de que não vai quebrar a cara lá na frente. Apesar de ter ficado horrorizada com uma ou duas atitudes, eu vi segurança nelas, saca? Tipo, um ser humano normal cometeria certos crimes pensando em um "bem maior" ou um "bem pessoal". É realista, e dou meus vários pontos por isso.


Não é spoiler que Dark vai trabalhar com passagens de tempo ficcionais. Tá logo ali em cima, no cartaz promocional da série. Mas não vou me atentar a isso porque acho que a máxima dessa série é você ir assistindo e pensando realmente como diabos aquilo seria possível e como afetaria outros momentos da linha de trama desses personagens. É a história da Teoria da Relatividade em relação ao destino. Que de alguma forma ele está escrito. Claro que aqui temos a dose máxima de ficção científica, mas uma dose banhada no que penso ser um realismo convincente nesse sentido.

Todo o clima de Dark, sejam as cores escuras em paisagens neutras do interior da Alemanha, ou roupas sem cores vibrantes, ou ainda os personagens quase tão dark quanto o nome da série, levam o expectador a sentir o peso dessa produção de maneira quase sufocante. É uma delícia o modo inteligente com qual criaram isso aqui. Da complexidade dos personagens e suas histórias individuais, ao que eles representam num todo. Porque de uma coisa eu tenho certeza, nada nem ninguém aqui foi jogado ao acaso. Então mesmo que você sinta que esqueceram personagem X ou Y, acredite que lá na frente eles farão uso dessa galera de maneira brilhante.

Se me perguntarem se eu gostei de Dark vou certamente demorar um pouco para responder. Não porque desgostei, mas porque acredito que seja o tipo de série a ser vista sozinho e com atenção, uma coisa que não consegui por causa das crianças, e isso prejudicou o meu entendimento do que acho que o roteirista queria me passar. Os embates filosóficos e científicos são grandes e importantes, e vez ou outra perdia um deles e precisava voltar. Por isso terminei de ver Dark em extrema confusão mental, até porque o final não é realmente fechado. Diversos pontos em aberto e necessários para compreender no que tudo vai findar, e isso é de explodir a cabeça.

Eu gostei da estética, eu amei os personagens e tenho um amor incondicional a "ideia" de Dark. Vou precisar rever com certeza, mas se em um primeiro momento ela me passou uma segurança de trama tão boa, penso que daí para frente a tendência é melhorar. Minha explicação é confusa? Pois veja só, espere ver a série toda para entender o que é confusão.

De qualquer forma, desejo viel glück (boa sorte) para vocês. E venham me procurar depois para contar o que acharam.

Resenha de "Origem" (Dan Brown)

Título: Origem
Autor: Dan Brown
Editora: Arqueiro (Cedido em Parceria)
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Sinopse: De onde viemos? Para onde vamos?Robert Langdon, o famoso professor de Simbologia de Harvard, chega ao ultramoderno Museu Guggenheim de Bilbao para assistir a uma apresentação sobre uma grande descoberta que promete "mudar para sempre o papel da ciência".
O anfitrião da noite é o futurólogo bilionário Edmond Kirsch, de 40 anos, que se tornou conhecido mundialmente por suas previsões audaciosas e invenções de alta tecnologia. Um dos primeiros alunos de Langdon em Harvard, há 20 anos, agora ele está prestes a revelar uma incrível revolução no conhecimento... algo que vai responder a duas perguntas fundamentais da existência humana.
Os convidados ficam hipnotizados pela apresentação, mas Langdon logo percebe que ela será muito mais controversa do que poderia imaginar. De repente, a noite meticulosamente orquestrada se transforma em um caos, e a preciosa descoberta de Kirsch corre o risco de ser perdida para sempre.
Diante de uma ameaça iminente, Langdon tenta uma fuga desesperada de Bilbao ao lado de Ambra Vidal, a elegante diretora do museu que trabalhou na montagem do evento. Juntos seguem para Barcelona à procura de uma senha que ajudará a desvendar o segredo de Edmond Kirsch.
Em meio a fatos históricos ocultos e extremismo religioso, Robert e Ambra precisam escapar de um inimigo atormentado cujo poder de saber tudo parece emanar do Palácio Real da Espanha. Alguém que não hesitará diante de nada para silenciar o futurólogo.
Numa jornada marcada por obras de arte moderna e símbolos enigmáticos, os dois encontram pistas que vão deixá-los cara a cara com a chocante revelação de Kirsch... e com a verdade espantosa que ignoramos durante tanto tempo.

Sabe quando você tem uma relação de amor e ódio com um autor? Sou eu com Dan Brown. Talvez mais amor do que ódio, afinal Brown me tirou de um período de fossa horrorosa alguns anos atrás, quando li Anjos e Demônios - que ainda é meu livro predileto dele. Mas depois de tantos livros lidos, eu peguei uma certa "birra" com algumas coisas relacionadas a escrita de Brown. 

Nesse livro temos de volta o maravilhoso Robert Langdon, meu professor de simbologia predileto. Dessa vez tudo gira em torno de uma descoberta do futurólogo Edmond Kirsch, que foi aluno de Langdon na faculdade, e agora como seu amigo, o convida para o que seria a maior descoberta científica de todos os tempos. As respostas para as perguntas "De onde viemos" e "para onde vamos". 

Só que algo acontece durante a apresentação que acaba com a revelação e coloca Langdon em uma caçada para descobrir o que Edmond sabia e revelar para o mundo, justamente como o amigo queria, esse segredo. 

Ao lado da administradora do museu e noiva do futuro rei da Espanha, e de um maravilhoso computador inteligente, Winston, Langdon vai transitar entre lugares pitorescos de Barcelona e visitar obras de artes um tanto diferenciadas em relação aos antigos livros dele. Tudo em prol da descoberta de Kirsch. 

Ok, então vamos !

O que me deixou bem surpresa a princípio foi que o autor trabalhou arte contemporânea com vontade. E eu que estava acostumada a arte antiga com Langdon, passei por uma aventura de descoberta impressionante com esse livro. 

Não gosto de arte moderna. O cara faz dois riscos em um quadro e diz que aquilo é arte e ganha milhões com ele. Mas daí o Winston - o tal computador inteligente - faz uma explicação maravilhosa sobre a arte de hoje em dia. Que está tudo no significado, e não na forma. Com esse pensamento, qualquer pessoa que faça os tais riscos pode ser artista se tiver uma puta explicação para eles. Então ser artista hoje em dia é só ter ideias criativas, mesmo que não saiba muito sobre forma, composição ou essas coisas que fizeram de Van Gogh e DaVinci artistas incríveis. Como uma pessoa aberta a ideias, aceito isso com dificuldade, mas aceito porque arte é algo bem subjetivo e sujeito a cada observador de maneiras diferentes. 

Para ler decentemente um livro do Brown, eu sempre recomendo o Google aberto. Em cinquenta páginas eu já tinha pesquisado o museu do começo da história e as diversas obras de arte e referências citadas nele. Ele faz com que o leitor amante de arte pesquise qualquer termo usado em suas obras. Não há como negar a capacidade do autor em inserir arte e acontecimentos históricos de forma incrível em suas tramas. Sou fã dele nesse aspecto. 

Origem foi um livro que dividiu muito os leitores. Ou dizem que é a melhor obra do Brown, e possivelmente a culpa seja da originalidade com que trata certas situações; ou dizem que foi o mais fraco, porque um leitor já habituado a sua obra não vê uma comparação justa entre Origem e Anjos e Demônios, por exemplo, que continua sendo meu livro predileto do autor. 

Brown também levanta aquela velha briga entre ciência e religião. O que me impressiona é que em nenhuma das vezes isso se torna cansativo. Tenho N problemas com os livros dele, mas nunca em relação as tramas principais. As tais perguntas que as obras tendem a responder. Também sou fã disso. 

Agora, não posso mentir que a fórmula Brown de escrever é extremamente irritante. Langdon tem que sempre estar junto de uma mulher bonita - como se elas fossem realmente necessárias - e os vilões tem sempre traços de humanidade que puxam para o castigo próprio. A punição por atos errados deles, ou de pessoas próximas a eles. 

Essa estrutura de trama é chata porque é previsível. Você já sabe o que vai acontecer, saca? E porque continuo lendo os livros? Simplesmente porque amo o Langdon, e porque a arte mostrada pela visão do autor é simplesmente libertadora. 

Eu senti que Langdon ficou bem de lado nesse livro. Como se fosse um coadjuvante da própria história. Entendo o que ele quis fazer, dando uma relevância necessária a Winston, mas Langdon ainda é a cabeça que salva igrejas e humanidades de extinção. 

Enfim, eu estou no grupo de pessoas que enxergou diversas falhas nessa história. Tem pontos interessantes? Sim, muitos, mas não é o melhor livro dele. Passa longe de ser. Como já comentei, Anjos e Demônios é a melhor coisa que o cara escreveu - para mim. Não sei se porque foi a primeira coisa que li dele, mas continua sendo minha obra favorita. 

Resenha de "As Coisas que Fazemos por Amor" (Kristin Hannah)

Título: As Coisas que Fazemos por Amor
Autor: Kristin Hannah
Editora: Arqueiro (Cedido em Parceria)
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Sinopse: “Kristin Hannah captura a felicidade e o sofrimento de uma família e prova mais uma vez por que é a estrela dos romances.” – Booklist“Este livro maravilhoso é um exemplo clássico das histórias tocantes e provocativas que são a especialidade de Kristin Hannah. A ternura e as complexidades dos personagens mexem com o nosso coração.” – Romantic Times
Caçula de três irmãs, Angela DeSaria já tinha traçado sua vida desde pequena: escola, faculdade, casamento, maternidade. Porém, depois de anos tentando engravidar, o relacionamento com o marido não resistiu, soterrado pelo peso dos sonhos não realizados.
Após o divórcio, Angie volta a morar na sua cidade natal e retorna ao seio da família carinhosa e meio doida. Em West End, onde a vida vai e vem ao sabor das marés, ela conhece a garota que mudará a sua vida para sempre.
Lauren Ribido é uma adolescente estudiosa, bem-educada e trabalhadora. Apesar de morar em uma das áreas mais decadentes da cidade com a mãe alcoólatra e negligente, a menina sonha cursar uma boa faculdade e ter um futuro melhor.
Desde o primeiro momento, Angie enxerga em Lauren algo especial e, rapidamente, uma forte conexão se forma: uma mulher que deseja um filho, uma menina que anseia pelo amor materno. Porém, nada poderia preparar as duas para a repercussão do relacionamento delas. Numa reviravolta dramática, Angie e Lauren serão testadas de forma extrema e, juntas, embarcarão em uma jornada tocante em busca do verdadeiro significado de família. 

Após seis anos de blog, cheguei a um livro que me tirou a capacidade de esquematizar uma resenha que caiba em sua grandeza. Não foi o melhor livro que li na vida, mas foi o que me fez chorar compulsivamente depois de 10 anos sem fazer isso com um livro. Então sim, ele merece todo o crédito e mais algum. 

Angie é uma mulher essencialmente triste. Tentou engravidar por anos, e depois de abortos e ter perdido um bebê após o nascimento, ela está em declínio, juntamente com seu casamento, que desceu ladeira gradativamente pelos acontecimentos. 

Quando Angie se separa de Conlam, ela resolve voltar para a cidade da família no interior, e restaurar a antiga grandeza do restaurante DeSaria, que está com eles há anos. Ocupar a cabeça com um novo projeto talvez não a faça pensar tanto nos bebês que perdeu e em sua incapacidade de ser mãe, uma coisa que ela tanto queria. 

Do outro lado temos Lauren, uma adolescente estudiosa e trabalhadora que vive com uma mãe que tem sérios problemas em aceitar ser mãe, e é totalmente relapsa com isso. Viciada em álcool e cigarros, incapaz de colocar dinheiro suficiente em casa, a mãe de Lauren não dá a mínima para a filha. 

É procurando um trabalho novo que Lauren e Angie viram amigas. E o que deveria ser uma relação exclusiva de trabalho, se torna uma amizade e um amor além do limite do que elas seriam capazes de imaginar. 

Olha, eu lendo o que já escrevi entendi como a sinopse desse livro é simples. Talvez eu não comprasse o livro por ela, e tudo bem, porque acredito que a mágica dessa história está não em "o que acontece", mas no "como acontece". 

Eu já tinha lido um livro da autora alguns anos atrás e lembro que gostei bastante, mas ele não me tocou como esse tocou. Nem de longe, e acho que essa questão de afinidade seja por conta do tema. Me identificava muito com Angie por essa questão de perder um filho e se sentir desestabilizada por muito tempo. Incapaz de aceitar que a dor dos outros possa ser maior do que a minha. Hoje minha filha teria dez anos e ainda me sufoca a ideia de pensar nela. É o tipo de dor que jamais vai embora, por mais criativas que sejam nossas ideias de fazê-la sumir. 

Mas também me identificava com Lauren, porque eu na idade dela era igualzinha. Sonhos grandes, dificuldades familiares, e uma penca de coisas que uma garota de dezessete anos não deveria passar. Então em suas cenas eu me sentia perdida, como me sentia pesada nas cenas que eram só de Angie, e aí eu culpo a brilhante escrita da autora. Ela transporta o sentimento do personagem com facilidade para o leitor. Ao ponto das coisas se embaralharem  e você não saber o que é seu e o que é daquela pessoa em cena. 

A maior coisa nesse livro são as grandezas de relacionamentos. Seja o das irmãs e mãe DeSaria, como de Angie para com Lauren. Ou de Lauren com Conlam, ou ainda de Lauren com seu namorado, David. Até quando eles fazem coisas idiotas, dá para sentir a intensidade do amor deles. E amor, meus caros, por mais belo que seja, também machuca. Na verdade as vezes machuca mais do que certas palavras de ódio. 

Eu tive cenas de precisar fechar o livro para não me debulhar em lágrimas, visto que a maioria dele eu li em períodos vagos do trabalho, e ia pegar mal se alguém chegasse e me visse aos prantos. Logo eu, que estava semana passada mesmo me vangloriando que não choro com livros, fiquei de olhos inchados de tanto que chorei. Pela identificação com os personagens, pela inveja de uma família estruturada... Não sei. O fato é que o livro me pegou de jeito. 

Devo salientar que não é um livro triste, ok? Só um livro emocionante. Tem passagens difíceis, mas necessárias. Contudo não é nada com gente doente - já digo logo porque detesto ler livros de pessoas doentes. Não precisa ter gente morrendo num livro para ele nos fazer chorar. Emoção também nos faz chorar, e dramas familiares são carregados de emoção. Passagens bonitas que nos deixam sem ar, mesmo a mais boba delas. Ver caridade se transformar em afeto é uma das coisas mais poderosas da vida, e aqui isso transborda nas páginas. 

Enfim, eu indico esse livro de olhos fechados e ainda pisando em brasas. Dentro da sua categoria, foi o melhor livro do ano, sem dúvidas. 


Burlando o bloqueio criativo


Uma coisa que aprendi nos meus anos de escrita, é que não há como se livrar dos eventuais bloqueios criativos que possam vir a acontecer. E não há choro ou desespero nenhum no mundo que o faça ir embora. 
A primeira atitude a fazer é não culpá-lo por estar atrasando o seu projeto. Problemas eventuais em nossas vidas costumam nos travar, mas não é certo deixar de cumprir prazos e metas por causa de um bloqueio criativo. Você é um escritor, ora bolas! Seja criativo e o encare como um dragão impedindo o resgate do amado ou só como um amigo, que vez ou outra vai dar as caras, e que você precisa aprender a conviver com isso sem se tornar ocioso e ter pena de si mesmo por estar passando por uma fase ruim. Viver é uma merda! Aceite isso que fica mais fácil. 

Aqui vou mostrar para vocês as minhas técnicas para burlar essa sensação de que estou bloqueada. Se vocês procurarem enxergar como um desvio de rota, talvez fique mais fácil do que um enfrentamento cara a cara com o bloqueio. Comigo funciona. 

1- Se desligue de todos as redes sociais

Você escolheu ser escrito, então compreenda que esse é um trabalho solitário. No máximo você precisa de alguém para revisar ou avaliar seu texto, não alguém para bater papo enquanto o está criando. Então se desligar do mundo é sua primeira tarefa. Não dá para criar uma trama interessante para os seus protagonistas se você estiver vendo vídeos de gatinhos fofos no Facebook. 

2- Arranje um lugar todo seu

Esse tem muita ligação com o primeiro item. Se você desligou todos os aparelhos da casa, mas ainda está desconfortável, talvez seja hora de criar um canto para você enquanto escritor, ou adaptar algo que já exista no ambiente onde vive. 
Conheço pessoas que conseguem trabalhar tranquilamente em lugares públicos. Cafés ou praças. Pessoalmente não consigo. Eu preciso do máximo de silêncio possível para escutar as vozes que sopram em minha cabeça. Lugares públicos são muito informativos, seja de pessoas, cores, sons... É inevitável que eu vá me desconcentrar e passar a usar o lugar como laboratório, e não como lugar para criar. 
Isso vai muito de como você processa seu trabalho. Melhor com barulho? Ótimo! Precisa de silêncio? Compre fones de ouvido que abafe ruídos externos e procure aquele canto da casa que só você vai. Se possível, ponha uma placa bem grande "Proibido entrar sob pena de morte" na porta, e aproveite. 
Como tenho filhos pequenos, acabo adaptando todos os lugares da casa para conseguir escrever. Se minha filha dorme no quarto, eu vou para a cozinha. Se minha mãe está na cozinha vendo TV, eu corro para a sala. Juro que já sentei até na área descoberta do banheiro para escrever. O importante é você se sentir confortável com seu ambiente de trabalho. 

3- Busque o que te inspira 

Como citei acima, eu sou uma autora movida a observação. Quando estou passando por algum tipo de bloqueio, sinto que é a hora de pegar meu caderninho de ideias, me afastar da minha rotina diária e analisar pessoas diferentes em lugares diferentes. Se isso não me ajudar a voltar para a história que já estava trabalhando, no mínimo vai me dar ideias novas para personagens novos, ou linhas de tramas diferentes. 
Chamo esse ato de observar e anotar de laboratório. Se sento em uma praça que nunca fui e tem um senhor sozinho, jogando milho para pombos ao redor (mais clichê impossível), eu começo anotando como ele é fisicamente, e então passo para como está seu semblante naquele instante. Com isso em mãos, imagino um motivo para ele estar ali, e daí saiu criando toda uma historinha no caderno em formato de tópicos. Não uma narrativa propriamente, mas questionamentos pontuais acerca de questões que poderiam me ajudar numa narrativa, caso ela se desenvolvesse
Observar pessoas é uma das coisas mais ricas para escritores. 
4- Ouça música 

Não conheço uma única pessoa que não goste de ouvir música. Sério, nenhuma mesmo. 
Pode ser que você curta um estilo completamente diferente do meu, mas certamente gosta de alguma coisa. 
Acredito que música seja a única forma de arte que é emocionalmente universal. É mais provável que alguém não goste de esculturas e teatro do que de música, não é? 
Pois bem, sabendo disso eu sempre monto uma playlist para os livros que escrevo, mesmo que eles não envolvam música. Eu costumo me inspirar na emoção que ela está passando para mim e deixo que aquilo esparrame num capítulo. 
Lembro que uma vez tinha travado em uma cena pesada de Improváveis Deslizes. Estava me consumindo escrevê-la e eu percebi que precisava parar. Então peguei meu celular, fui até o quintal, sentei na escada e fiquei passeando nas músicas do cartão de memória do telefone. Foi quando ouvi "A MÚSICA". Aquela que salvou o capítulo para mim naquele momento, porque tinha o tom certo de tristeza, melancolia e sufocamento que eu precisava. Voltei correndo e o acabei em menos de duas horas.
Não é a letra - e as vezes até é - mas a emoção necessária naquele momento, e em algumas situações isso basta para sair de um bloqueio. 

5- Não se prenda a detalhes

Vejo muita gente que quer ser escritor, mas que não consegue começar porque acha que precisa estudar milhões de livros de teorias antes de dar o primeiro passo. Acredite quando digo que a escrita é um dom. 
É possível que você estude muito e que se torne um escritor mediano que se apega a detalhes de técnica e gramáticas; mas se você realmente tiver talento, esses estudos vão ser apenas o complemento de um cerne que já está lá. Não dá para ser um puta escritor se não houver talento para isso, mesmo com toda técnica do mundo. E também não dá para ser um puta escritor se não estudar a escrita, mesmo com talento. 
Não estou dizendo que não é preciso trabalhar duro. Sim, escrever é acima de tudo para quem é leitor e rala para cacete nisso. É inevitável que você leia bem para escrever bem, e quando falo em ler bem me refiro a qualidade do que se lê, não a quantidade. 
Se você ler vinte livros de teoria, quando for para a prática, vai tentar se firmar em todas as 500 teorias que viu antes mesmo que acabe o primeiro parágrafo. Gente, vocês não vão para lugar nenhum fazendo isso, ok? Tem que sentar e escrever, apenas isso. Escreva merda, escreva merda errada. Muita merda errada. Porque quando você for parar para lapidar o teu texto, 80% dele vai ser modificado, mas a base inteira vai estar lá, e com as ideias genuínas que estavam na sua cabeça sem estar preso as regras. 
Eu só fui ler livros de teoria depois de dois livros escritos. Não por achar que precisava delas para escrever alguma coisa, mas porque queria crescer, e só se cresce em algo com estudo. Então recomendo começar, e só depois pensar se aquela concordância está de acordo com a gramática, tudo bem? 

6 - Toda e qualquer leitura é válida

Você quer escrever um romance de época, mas é um leitor essencialmente de fantasia? Vai encontrar alguma dificuldade, e isso é um fato. 
Eu sou uma escritora essencialmente de romances, mas eles são o que menos leio, porque apesar de amar escrever, não gosto muito de ler sobre eles. Vai entender!
Preciso estar sempre renovando minhas ideias, mas não ler tanto que possa sentir estar copiando o que vejo outras autoras falando. Por isso, cuidado! 
Coma o gênero que você escreve por alguns meses. Espere a ideia assentar na sua cabeça, e daí escreva teu livro enquanto lê outras coisas. Isso vai enriquecer sua história e a você, como pessoa. Saia sempre da sua zona de conforto, ou será só mais um cara com uma história escrita e engavetada numa estante velha. 


7- Esse caminho não está legal? Pare e tente por outro 

Se você travou em uma cena da história que deveria ser um diálogo forte de uma briga entre pai e filho, e seu POV é o do filho, então talvez seja a hora de você abrir um arquivo diferente do computador e tentar narrar aquela cena pelo ponto de vista do pai. Ou do carteiro que viu a briga pela janela, ou do cachorro que lambia a pata e olhava tudo do canto da sala. Só como um teste, não precisa mudar sua história inteira, beleza? 
Ser escritor é sempre experimentar. 
Finja que você é um diretor de arte de cinema levando a câmera nas costas em uma cena desse tipo. Colocar ela na cara do filho seria o lógico, mas pense em quão rico ficaria o texto colocando-a como se fosse os olhos do cachorro - querendo carinho do menino, e que o pai fosse embora e parasse de berrar; ou do carteiro - se perguntando se deveria chamar a polícia ou bater na porta para entregar a conta de luz invés de enfiar na caixa do correio. 
O que vai engrandecer uma cena, é a densidade de detalhes que você acrescenta a ela. E se está difícil seguindo um padrão, então mude-o! Se a gente de entedia pegando o mesmo caminho para trabalhar todos os dias, nossas histórias se entediam de receber o mesmo angulo também. 

8- Tempestade de ideias (Brainstorming)

Brainstorming é uma técnica bem conhecida por equipes de publicidade na intenção de criar ideias novas e diferentes para gerar conteúdos inovadores. 
Como uso ativamente o Brainstorming? Simples, promovendo encontros com meus leitores. 
Quando comecei a escrever A Mais Bela Melodia, eu tinha uma leve ideia do que fazer com os protagonistas até o fim do livro. Mas tudo mudou quando passei a postar no Wattpad, porque os leitores criavam suas próprias teorias, amores e raivas pelos personagens, e isso ia me dando outros pontos de vista que possivelmente não havia parado para pensar antes desses debates. 
Geravam discussões, e de todas elas eu tirava as coisas que eu sabia que podia aproveitar sem perder a essência dos personagens. O final foi completamente modificado, e não tenho vergonha em dizer que foi movido aos leitores, porque eu quem escrevi o livro, e se escrevi daquele modo, foi porque achei que fazia sentido. Usei das tempestades de ideias deles para melhorar as minhas ideias empacadas e rasas. 
É como se fosse um grande jogo de RPG. Um escritor é Deus com uma vida em uma balança, pensando se ferra com ela de vez ou a melhora. Os leitores são o juri justo e ponderado - ou não. hehe. O fato é que essa é uma boa técnica para sair do marasmo da escrita solitária. 

9 - Mostre as pessoas a sua história

Como falei, essa interação é bem importante para o escritor. Tanto pelas ideias que surgem, como pela cobrança para que você não pare. 
Quando eu me comprometo em lançar um capítulo por semana no Wattpad, por exemplo, eu tento cumprir isso. Vou trabalhar a semana inteira, lutando contra os bloqueios, e trato de escrever de pouco em pouco até completar o capítulo. Eu me comprometi com aquelas pessoas. E se isso for a única forma de fazer com que meu livro seja escrito em 5 meses invés de 2 anos, então acho uma ideia válida. 
A unica coisa negativa - para mim - nessas plataformas é unicamente a impossibilidade de escrever seu livro em concursos literários pelo Brasil, por perder o inédito, mas se você está seguro quanto a isso, e garanto que é um ótimo recursos de conquistar leitores e amigos escritores, então siga firme. Entenda qual o teu público e o que pode fazer por ele. 

10 - Prazos e metas

Essa é a parte complicada porque exige que você seja uma pessoa um tanto quanto organizada. 
Todo mundo que me conhece sabe que trabalho com roteiro. Escrevo o roteiro daquele livro inteiro antes de começar, como se fosse um roteiro de cinema, e a partir disso divido pelas semanas que vou  precisar para concluir. 
Se o livro tem 40 capítulos, em média preciso de 40 semanas para fazer. Pode ser que faça em mais, ou em menos, mas essa é minha meta. Sei quando um capitulo vai comer mais tempo, e quando não vai ter tanta coisa assim e posso fazer dois na semana. Também levo em conta uma semana tribulada, como festas ou vésperas de prova do filho. É necessário um calendário e paciência para construir esse gráfico e mapa menta. 
Claro que a história muda muito do início até o fim em relação ao roteiro, mas a base dele está lá. Só trabalho com o tempo que tenho em cima dela. 
Mas se você não trabalha com roteiros na hora de escrever, pode tentar por em meta um capítulo por semana e seguir daí. Não poderá dizer quando vai começar, mas pelo menos tem uma meta para se guiar. 

Mas olha, se você aplicou todas essas técnicas e ainda se sente bloqueado, talvez seja a hora de parar por algumas semanas e se ocupar com outras coisas. Uma viagem, uma maratona de séries no Netflix (Stranger Things, cof! cof!) ou ver os filmes do Woody Allen. Muda a sua rotina e deixa a história decantar. Vocês vão ver que ela vai te guiar para onde parou. É belo e natural esse processo. Não se desespere! 

Até a próxima! 

XOXO

Resenha de "O Beijo Traiçoeiro" (Erin Beaty)

Título: O Beijo Traiçoeiro
Autor: Erin Beaty
Editora: Seguinte
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Comprar: Amazon

Sinopse: Com sua língua afiada e seu temperamento rebelde, Sage Fowler está longe de ser considerada uma dama — e não dá a mínima para isso. Depois de ser julgada inapta para o casamento, Sage acaba se tornando aprendiz de casamenteira e logo recebe uma tarefa importante: acompanhar a comitiva de jovens damas da nobreza a caminho do Concordium, um evento na capital do reino, onde uniões entre grandes famílias são firmadas. Para formar bons pares, Sage anota em um livro tudo o que consegue descobrir sobre as garotas e seus pretendentes — inclusive os oficiais de alta patente encarregados de proteger o grupo durante essa longa jornada. Conforme a escolta militar percebe uma conspiração se formando, Sage é recrutada por um belo soldado para conseguir informações. Quanto mais descobre em sua espionagem, mais ela se envolve numa teia de disfarces, intrigas e identidades secretas. E, com o destino do reino em jogo, a última coisa que esperava era viver um romance de tirar o fôlego.

Quando eu comecei a ler esse livro, não imaginei que em hipótese nenhuma ele fosse me agradar tanto quanto ele me agradou. Achei que o acharia bobinho, ou no máximo um estilo de romance de época com personagens mais jovens. Mas o que encontrei aqui me agradou em tantos sentidos, que dificilmente saberia dizer para vocês todos eles. Mas vou tentar.

Começamos o livro conhecendo Sage, uma órfã que mora com os tios e está em idade de arranjar um marido, pelo menos é isso o que o tio dela acha quando contrata a melhor casamenteira da região para lhe arrumar o par ideal. O grande problema é que Sage é daquelas mocinhas atrevidas e que tem sérios problemas em aceitar ser obediente e educada quando não acha que deveria ser. E por causa disso a casamenteira a dispensa como cliente, mas a contrata como aprendiz, o que para Sage é mil vezes melhor do que um casamento.

Do outro lado da história temos o Capitão Alexander Quinn, um oficial de alta patente que está na cola de alguns invasores inoportunos que andam atravessando a fronteira do reino na espreita. Então recebe a incumbência de pegar seus soldados e escoltar o grupo de noivas para a cidade onde é realizado o encontro e os casamentos arranjados com os maridos, ele acha que o general está usando mal os talentos do seu grupo, mas obedece. Sem saber que estando longe do problema é exatamente quando ele começa a se aproximar dele.

É nesse comboio que ele encontra Sage, sem saber quem ela é, mas percebendo que tem uma enorme capacidade de observação. Quinn se aproxima da menina para tentar descobrir um "espião" no grupo. Também não imaginou que fosse começar a gostar dela, e que gostar dela poderia ser o começo de milhões de problemas que fugiam da sua ossada. 

Gente, eu juro que esperava um romance de época bobo e adolescente. E tá, ele não é exatamente adulto, mas é tão bem escrito que dá para relevar fácil os problemas "juvenis" dos personagens. Até porque nem Sage nem Quinn se comportam exatamente como meninos. Passam longe disso em muitos momentos.

A história é absolutamente deliciosa e bem amarradinha. O casal funciona bem juntos e não sofrem de instalove - o que super me agradou. Sem contar que Quinn não tem essa coisa irritante de macho alfa em ficar tratando Sage como uma jovem indefesa, o que certamente é um grande ponto a seu favor. Eles são realmente uma graça, e tem uma construção de romance absolutamente agradável. 

A história em si não gira em torno desse romance, o que é um deleite em se tratando de livros com romance e de época. Tem aquela coisa histórica bem feita, de uma história que não é exatamente a nossa verdadeira, mas de um mundo irreal que super funciona. Sem contar a parte investigativa e de ação. Sério, eu roí as unhas lá pro final do livro. Não sabia se ria ou chorava. Muito, muito legal!

Se tivesse algo que eu criticaria levemente seria a capa. Não me entendam mal, eu adorei a capa, mas depois de ter lido o livro eu acredito que ela passa a sensação juvenil que na verdade não existe nesse livro, se excluir o fato de que ele tem personagens um pouco mais jovens. Ele merecia uma capa melhor. A americana não é tão decente, mas pelo menos passa a ideia mais adulta, o que certamente o livro mais chamativo. 

O livro é uma delícia em cada parte dele. Fiquei procurando o que mais criticar e não achei . Não sei se foi o momento que li que estava propício, mas eu curti de verdade. Dentro da categoria dele, foi um dos melhores do ano, se não o melhor. Indico para quem ama romances de época, e espionagem, que tem de monte por aqui. E a melhor parte? É que é uma trilogia (sim, as vezes isso é positivo) e que provavelmente a continuação ainda vá focar em Sage e Quinn ainda (espero que seja). 

Enfim, indico de olhos fechados. 

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Resenha de "O Voo da Vespa" (Ken Follet)

Título: O Voo da Vespa
Autor: Ken Follet
Editora: Arqueiro
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Sinopse: Freya é o nome da deusa nórdica do amor. Também é o codinome da mais recente invenção nazista, de acordo com uma mensagem interceptada pelas forças aliadas. A inteligência britânica desconfia que é graças a ela que os alemães estão conseguindo abater os bombardeiros ingleses a uma velocidade tão alarmante. Hermia Mount, uma analista do MI6, é recrutada para ajudar a descobrir qual é essa nova arma. Tendo morado a vida inteira na Dinamarca, ela possui contatos valiosos que poderão auxiliá-la em sua missão. Do outro lado do mar do Norte, numa ilha dinamarquesa ocupada pelos alemães, o estudante Harald Olufsen descobre uma instalação estranha dentro da base militar nazista. Ele não sabe o que é, mas não se parece com nada que já tenha visto, e ele precisa contar para alguém. Em Copenhague, o detetive Peter Flemming colabora com os alemães para desvendar quem está repassando informações de dentro do país nórdico para os aliados britânicos. Numa Europa praticamente dominada pela Alemanha, a vida dessas três pessoas se entrelaça de forma irreversível, e quando um decrépito avião bimotor se transforma no único meio de fazer a verdade chegar até as forças aliadas, o destino delas poderá mudar o rumo da guerra - e da história.

Ler Follet é sempre uma experiência agradável, sem contar que é uma puta aula de história. Não tenho uma vasta experiência com o autor, mas nunca me decepciono quando sento para ler algum dos seus livros. Na verdade, ele constantemente aparece na lista das melhores leituras do ano. 

Em O Voo da Vespa temos como o pano de fundo a 2ª Guerra Mundial, que é um dos períodos históricos que mais gosto de estudar. Dentro desse contexto o autor foca em uma invenção nazista que está fazendo os aviões ingleses caírem antes mesmo de começarem a atacar, e aqui o livro me lembrou bastante o filme O Jogo da Imitação, que tem uma estrutura semelhante. 

E como todo livro do autor, entendemos a história por várias perspectivas. O de Harald, que meio sem querer descobre um aparelho intrigante em uma base nazista da Dinamarca; o de Hermia, noiva do irmão de Harald, que é inglesa da resistência e que foi designada para tentar descobrir porque os aviões deles estão caindo, e o de Peter, um detetive nazista que está em busca de quem está passando informações para os ingleses. Essas três pessoas vão se cruzar continuamente na história, e elas darão o panorama histórico e social incrível desse livro. 

Gente, é um livro sobre uma situação específica dentro de uma guerra que foi estúpida de grande e importante. O que Ken Follet fez foi pegar 1% do que aconteceu e criar uma ficção que em absoluto parece ficção. Por muitas vezes enquanto estava lendo pensava naquelas pessoas passando por aquelas situações e imaginando o quão somos heróis diariamente, com coisas cotidianas. 

O livro não é monótono, passa beeeemmmm longe de ser, ok? Quis fazer a comparação dos heróis apenas porque existiram tantos que nunca nem ouvimos falar, e esse livro me fez pensar bastante nisso. Nos anônimos que mudaram o rumo de guerras, e as vezes com uma ação minúscula. 

O Voo da Vespa tem um roteiro estupidamente bem amarrado. Tanto em relação aos personagens, quanto a história real na qual são inseridos. Já me perguntei diversas vezes se Follet não é um viajante do tempo, porque estou para ver um autor mesclar história e realidade tão bem quanto ele. Não fica parecendo uma aula maçante, tão pouco algo que saiu da cabeça de um escritor. Os livros dele tem vida, e essa é o melhor elogio que posso dar. 

Engraçado também é nossa capacidade de sentir as mais diversas coisas durante a leitura. Seja o amor pela inteligência de Harald, ou o desprezo velado por Peter. Os personagens são palpáveis, de tão bem construídos. E apesar da história focar nessas três pessoas principalmente, abro espaço para Arne, o irmão de Harald e noivo de Hermia (um puta espaço, na verdade. O cara brilha!), e para Karen, que também não fica um milésimo de segundo atrás de Arne. Na verdade, eu amo ela e Harald juntos! Tão novos e tão cheios de decisões difíceis... 

Apesar de ser um livro sobre guerra, e isso tender a deixar o livro mais dramático, ainda é um do Ken Follet, e ele foge longe de qualquer drama exacerbado na narrativa. É direto, e ainda assim não é frio, entendem? Passa a mensagem de maneira maravilhosa e vai te deixar tenso em muitos momentos, principalmente perto do fim. Aliás, um últimos capítulos são de roer as unhas. Super bem desenhados e estruturados. Parece um roteiro do tipo de filme que leva um Oscar. 

É uma história maravilha, escrita por um maravilhoso escritor e com maravilhosos personagens. Follet apareceu aqui um outro ano como um dos livros favoritos, e acho bem possível que apareça nesse ano também. Não há como você ser um amante de história e não curtir os livros do cara. São DIVINOS!

Tag: Feitiços de Harry Potter


Olá, pessoal!
Gravei um vídeo de uma tag que estava acumulada por aqui. Amei gravar, e espero que vocês gostem de assistir.
Na descrição dele tem as informações sobre quem criou a tag.




Resenha de "A História do Futuro de Glory O'Brien" (A. S. King)

Título: A História do Futuro de Glory O'Brien
Autor: A. S. King
Editora: Gutenberg
Skoob: Adicionar

Sinopse: O fim do ensino médio é uma época de possibilidades infinitas – mas não para Glory O’Brien, uma jovem norte-americana que não tem nenhum plano para o futuro. Sua mãe cometeu suicídio quando Glory tinha apenas 4 anos, e ela nunca parou de se perguntar se seguiria o mesmo caminho… Até que numa noite transformadora ela começa a experimentar um novo e surpreendente poder que lhe permite enxergar o passado e o futuro das pessoas.De antepassados a muitas gerações futuras, a jovem é bombardeada com visões – e o que ela vê pela frente é aterrorizante: um novo líder tirânico toma o poder e levanta um exército. Os direitos das mulheres desaparecem. Uma violenta segunda guerra civil explode. Jovens garotas somem diariamente, vendidas ou confinadas em campos de concentração.
Sem saber o que fazer, Glory decide registrar todas as suas visões, na esperança de que a sua História do Futuro sirva de alerta e evite o que vem por aí.
Mas será que as pessoas vão acreditar nela? Será que estarão dispostas a fazer o que é necessário para impedir a concretização daquele destino medonho?
Nesta obra-prima sobre feminismo, liberdade e escolhas, A. S. King mais uma vez nos brinda com seu realismo fantástico para contar a história de uma garota que tenta lidar com uma perda devastadora. 

Definitivamente eu acho que comecei a ler a autora pelo livro errado. Não é possível que tanta gente que tenha o gosto semelhante ao meu tenha dito que esse é o melhor livro dela, e isso sendo um grande elogio, quando eu sofria para ler dez páginas de uma única vez sem cair no sono. 

Glory mora com o pai. A mãe se matou quando ela era menina e desde então Glory procura descobrir se os pensamentos perigosos que tem são provenientes de algo que herdou da genitora, ou loucuras adolescentes mesmo. 

Junto a sua melhor amiga, Glory acaba fumando um morcego. Sim, a frase parece estranha, e a situação é tão bizarra quanto a frase. E depois disso elas passam a ter flashs do passado das diversas gerações das pessoas que veem, como também os descendentes delas. E isso vai fazer com que ambas passem a analisar quem são num contexto geral de mundo, e entender como as pessoas funcionam quando não estão sendo observadas. 

Esse livro leva o nome de realismo fantástico, mas não sei até que ponto isso é correto. Num realismo fantástico as pessoas encaram com naturalidade o fantástico, o que não é o caso desse livro. Elas se surpreendem e se assustam com as coisas estranhas ao redor delas. Também não me sinto confortável colocando na categoria de sobrenatural, porque vejo essas visões das meninas mais como uma filosofia sobre a humanidade como um todo. É um livro confuso de catalogar em gênero, e possivelmente seja esse o motivo de terem colocado ele em cima do muro. 

A ideia do livro é bem legal, e acho que ele cumpre com a proposta ideológica que sugere. Coloca o leitor para pensar da mesma maneira que coloca Glory. A gente se enxerga pelos olhos da menina quando ela vê alguns passados terríveis e futuros igualmente ruins. Ainda assim, passei mais da metade do livro querendo enforcar a protagonista. Ela era omissa, um tanto falsa e lerda de um modo que me deixava agoniada. Nada em Glory me agradou, e acredito que esse seja o motivo de eu não ter curtido tanto assim o livro. 

Não vou negar que tem passagens maravilhosas. Pensamentos dignos de palmas, mas eu posso achar isso em um livro de frases, e não preciso ler um YA/Sobrenatural/Realismo Fantástico/Drama estranho para ter tais pensamentos. Quero dizer com isso, que num contexto geral o livro foi bem fraco para mim. Não tinha nada mais forte que levasse a trama adiante, até porque não tem trama alguma. Só uma menina olhando o passado e futuro das pessoas e pensando sobre aquilo. Sério, gente, o livro me deu um puta sono. Lia cinco páginas e já estava cochilando. 

Infelizmente não foi um livro para mim. Vou voltar a tentar ler algo da autora, mas não vai ser nem tão cedo. Traumatizei, não vou mentir.